21/11/2016

  • // Por: Paula Alzugaray

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História da arte brasileira vai a leilão

Duzentos e catorze lotes da coleção de arte da massa falida do Banco Santos S.A. são leiloados esta semana em São Paulo


Escultura em granito “Vestal Reclinada com Pássaro”, de Brecheret, com lance inicial de R$ 1,1 milhão
Escultura em granito “Vestal Reclinada com Pássaro”, de Brecheret, com lance inicial de R$ 1,1 milhão

Há exatamente um ano, a tela “Hannibal”, de Jean-Michel Basquiat, pertencente à coleção de Edemar Cid Ferreira, ia a leilão na Sotheby’s de Nova York para arrecadar fundos para pagar credores do Banco Santos S.A., que quebrou em 2005, abrindo um rombo de R$ 3,4 bilhões. Com a escassez de controle sobre o trânsito de obras para o exterior, a obra havia atravessado a fronteira americana com valor declarado de US$ 100, enviada pelo próprio Cid Ferreira, com evidente intuito de evasão de divisas.

Com a repatriação das obras feita pela justiça norte-americana, o juiz responsável pelo processo, o desembargador federal Fausto De Sanctis, sugeriu que “Hannibal” e outras obras de arte de Ferreira encontradas fora do Brasil fossem doadas a museus públicos brasileiros, mas o Superior Tribunal de Justiça deu a posse à massa falida do Bancos Santos para pagar seus credores.

Na época, o artista norte-americano Stephen Torton, que foi assistente de Basquiat nos anos 1980, lamentou a decisão da justiça. “Fui assistente de Basquiat e construí a peça. Sinto que ela realmente poderia ter sido um prêmio para o povo brasileiro e o sistema brasileiro de museus. Lamento que ela não tenha sido exposta e celebrada como uma metáfora contra a corrupção e a impunidade”, disse Torton à revista seLecT.

“Hannibal” demorou, no entanto, quase um ano para ser leiloada. Encalhou no leilão de Nova York e só foi arrematada em outubro último na Sotheby’s de Londres, pela bagatela de R$ 42 milhões. Outra pintura do mesmo lote, “Der Bote”, de Georg Baselitz, foi vendida por R$ 2,3 milhões.

Agora será a vez dos brasileiros colocarem a mão no pote de ouro da coleção de arte da massa falida do extinto Banco Santos. Duzentos e quatorze lotes com obras de Amilcar de Castro, Tunga, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Iberê Camargo, Nelson Leirner, Aldo Bonadei , entre outros, serão leiloados por Aloisio Cravo nesta terça feira 22, a partir das 14h no hotel Unique em São Paulo, com possibilidade de participação pela internet.

Entre as oportunidades imperdíveis estão a instalação “Tríade Trindade”, de Tunga, avaliada em R$ 400 mil; a escultura em madeira “Flor de Chão” de Frans Krajcberg, com lances a partir de R$ 320 mil; e a escultura em granito “Vestal Reclinada com Pássaro”, de Brecheret, com lance inicial de R$ 1,1 milhão. Um segundo leilão será realizado dia 29, com pregão online no site www.iarremate.com que inclui fotografias, livros, mapas e manuscritos. Dê o seu lance!


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Paula Alzugaray
Paula Alzugaray é curadora independente, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e diretora da revista seLecT