11/01/2017

  • // Por: Luís Artur Nogueira

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Inflação dentro da meta é vitória do novo BC

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, entregou uma inflação de 6,29% em 2016. Falta agora acelerar a queda dos juros


Ilan Godfajn (à esq.) se reúne com os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom)
Ilan Godfajn (à esq.) se reúne com os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom)

Em outubro de 2016, escrevi um artigo opinativo na ISTOÉ Dinheiro sobre a postura cautelosa do Banco Central (BC), que havia reduzido a Selic em apenas 0,25 p.p.. Embora eu tenha afirmado que o BC poderia ter sido mais ousado na queda dos juros, concluí: “Mais vale um Ilan Goldfajn cauteloso do que um Alexandre Tombini leniente”. 

Hoje saiu o IPCA de 2016: 6,29%. Portanto, Ilan conseguiu entregar a inflação dentro do limite da meta. É uma vitória de todos os brasileiros. Nós não merecemos, nunca mais, ter uma inflação de dois dígitos. Preços elevados corroem a renda dos mais pobres. Inflação alta é um imposto invisível que prejudica os mais carentes. E pior: quanto maior a inflação, maior é o processo de concentração de renda. Os mais ricos se protegem no mercado financeiro e ganham juros altos do governo enquanto os mais pobres não têm nenhuma proteção financeira.

Alguns analistas vão dizer que o Ilan não tem mérito nenhum pela inflação abaixo de 6,5%, pois o País vive sua maior recessão da história. Vale lembrar que o Tombini, com uma queda de PIB perto de 4%, entregou uma inflação acima de 10%. Portanto, no Brasil, não basta uma recessão para derrubar a inflação. É preciso ter um BC com credibilidade para ancorar as expectativas inflacionárias. 

Elogio feito ao BC, o próximo passo é acelerar a queda dos juros para ajudar a acabar com o desemprego recorde e crescente. E o debate prossegue conforme o título do artigo: “Cautela é qualidade ou defeito?”. No ano passado, foi qualidade. Neste ano, se o Comitê de Política Monetária (Copom) for muito conservador, será defeito. 


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Luis Artur Nogueira
Luís Artur Nogueira, jornalista e economista, é editor de Economia da DINHEIRO e palestrante. Está no mercado há 20 anos