Um guia para entender o economês do filme “A Grande Aposta”

Para você não ficar de fora de nenhum detalhe, vale a pena conferir os termos usados no filme sobre a crise financeira global de 2008 que concorre ao Oscar

21/01/2016 17:56

  • // Por: Carlos DIAS

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Filme em cartaz trata da intrincada crise imobiliária nos Estados Unidos em 2008 e traz uma série de termos econômicos
Filme em cartaz trata da intrincada crise imobiliária nos Estados Unidos em 2008 e traz uma série de termos econômicos

Sabe aqueles filmes que são bons, mas fica melhor ainda se você entende sobre o que eles estão falando? Este é o caso do filme “A Grande Aposta” (The Big Short), que concorre ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator coadjuvante (Christian Bale), melhor diretor (Adam McKay), melhor montagem e melhor roteiro adaptado.

O filme é baseado em fatos reais e tem como pano de fundo a crise financeira de 2008, nos Estados Unidos (EUA). Os atores Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt interpretam investidores que previram o comportamento da chamada bolha imobiliária americana. No roteiro, Michael Burry (Bale) é o dono de uma empresa de médio porte que decide investir muito do dinheiro de seu fundo de investimentos. A aposta é que o sistema imobiliário americano irá quebrar em pouco tempo. 

A trama de desenrola com uma série de metáforas e a tentativa do diretor e roteirista em explicar algo extremamente árido e técnico.  O portal da DINHEIRO preparou uma espécie de glossário para você não perder nenhum detalhe do filme e entender o “economês” dos diálogos. Confira:

Crise de 2008
 – De proporções globais, sua origem ocorre nos EUA com uma elevação artificial, manipulada, dos preços dos imóveis. A chamada bolha imobiliária levou os preços dos imóveis às alturas e depois ao chão, e foi precipitada pela falência do tradicional banco de investimentos americano Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito dominó quebraram no processo também conhecido como "crise dos subprimes". Em outubro de 2008, a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália anunciaram pacotes que somavam 1,17 trilhão de euros em ajuda ao seus sistemas financeiros.

Derivativos – Entender o fio da meada do filme é antes de tudo compreender o que são os tais derivativos. Derivativo é um contrato no qual se estabelecem pagamentos que serão feitos no futuro por alguém.  Esse, digamos, compromisso é calculado com base no valor assumido por algum indexador.  Pode ser o preço de algum bem, de uma ação, câmbio, taxas de juros entre outros. No filme todo o enredo é pontuado pelos derivativos.

Título de Crédito Hipotecário ou Letra Hipotecária - É um papel lastreado em crédito imobiliário, aplicações geralmente de médio e longo prazo. Servem para que os bancos possam oferecer financiamento imobiliário a seus clientes. Para captarem recursos, lançam esses títulos ao público cujo rendimento é baseado nos próprios empréstimos cedidos pelos bancos.

A pirâmide de dominó (Triple A-Double B) – Em um determinado momento do filme um dos protagonistas, tentando vender seu peixe, monta uma pirâmide de dominó para explicar o inexplicável. Como transformar os chamados créditos podres, tóxicos como se dizia na época, em papéis rentáveis e bons. Há uma classificação que as agências de risco fazem (Standard & Poors, Moody´s, Fitch) para avaliar se um investimento é bom ou não. A maior – e melhor – classificação é dada a nota AAA+, o triple A. Os títulos do Tesouro americano têm essa classificação. A medida que o risco de que o tomador do  papel aumento (na prática o risco de levar um calote), esta nota vai baixando. Os papéis de hipoteca citados em “A Grande Aposta” são duplo B (BB). Mas, na estratégia traçada pelos especuladores, podem render um bom dinheiro a quem se arriscar.

Subprime - As hipotecas de alto risco, conhecidas como subprime, eram empréstimos concedidos a clientes que não tinham boa avaliação de crédito nos EUA. Ou seja, pessoas que, antes, não conseguiam financiamento para casa própria. Como os juros americanos estavam em patamar muito baixo (em 2003, a taxa anual era só de 1%) e a economia vinha crescendo com força, os bancos passaram a atender esses clientes em busca de retornos maiores. 

Credit Default Swap (CDS) – Muito citado no filme, é um instrumento financeiro geralmente negociado por investidores no mercado de renda fixa (obrigações) para especular ou fazer uma espécie de seguro caso uma empresa não pague a sua dívida. Uma forma de papel negociado no mercado financeiro para o chamado risco de crédito. Já no início do filme há referências importantes do CDS, quando se tenta vender esses papéis aos fundos de investimento.

CDO (Collateralized Debt Obligation - Obrigação de Dívida Colateralizada) – Instrumento bastante sofisticado e também muito citado no filme. Imagine que alguém tome um empréstimo e dê como garantia um ativo qualquer. Aí vem a parte complicada: quem fez o empréstimo vende o direito de receber os juros e o dinheiro do empréstimo em algum momento no futuro. Com a venda, há um repasse da dívida que está garantida pelo ativo dado de garantia. Daí o nome de dívida colateralizada.

Operar comprado ou vendido – Uma expressão também muito usada no filme, refere-se à aposta que os especuladores fazem sobre alta ou baixa dos papéis. Na prática significa assumir posições fortes, que no jargão é descrita como alavancagem, de se apostar na alta de algum papel (operar comprado), ou na baixa (operar vendido) em algum momento no futuro.

Para quem curte o assunto há ainda uma boa dica de filme sobre a crise de 2008, o documentário Inside Job (Trabalho Interno) que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2011.

Veja o trailer do filme "A Grande Aposta":

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