DINHEIRO ? O que é a ciência da Complexidade?
GIOVANNINI
– É um modelo que já é usado para explicar fenômenos em áreas como Matemática, Física, Química e Biologia. Meu desafio foi mostrar como e por que esse modelo é essencial para melhorar a gestão atual das organizações.

Dá certo?
Sua adaptação à Economia ainda é limitada, mas já ajuda a entender fenômenos da administração do tipo tudo foi planejado corretamente, mas nem tudo funcionou conforme o planejado.

Por que ela ajuda?
Porque leva em consideração os sistemas de comportamento criativo, imprevisível e adaptativo dos seres humanos em interação com as leis relativamente estáveis da Economia.

Pode citar um exemplo?
Muitas empresas implantaram sistemas de participação nos resultados para seus empregados, imaginando ter a solução definitiva para seus problemas de motivação e crescimento. Mas o comportamento não-linear entre metas e resultados acabou mostrando, muitas vezes, que aquela solução nem sempre funciona.

Como foi sua pesquisa?
O conhecimento evolui. Eu procurei ser o mais atual possível, abordando áreas
mais recentes da administração como a Dinâmica de Sistemas e a Nova Economia
de Empresas.

Qual foi a contribuição para o livro de sua experiência empresarial?
Desde 1983 fundei ou participei de empreendimentos nos setores plásticos reforçados, seguros, agropecuária, mineração, indústria mecânica pesada, ferramentaria e metais. Em autopeças, no qual estou hoje, atravessei a década
de 90, em que metade das empresas do setor quebrou. Mas aprendi na uni-
versidade que fazer ciência vai muito além da experiência pessoal.

Qual é a sua receita do sucesso?
Não acredito em fórmulas prontas. Na área que procuro abordar, os trabalhos mais antigos datam de 1991, são muito recentes. O livro não é simples nem mostra um caminho rápido para o sucesso. Talvez ele seja o oposto da literatura de auto-ajuda. Mas uma pessoa que vive a realidade complexa e caótica das organizações pode expandir sua compreensão ao ler o livro.

Quais são as principais regras para uma administração empresarial eficaz?
Não considero saudável o excesso de especialização. Pode significar que o empresário está construindo um beco sem saída logo à sua frente. Também acho que a eficiência não pode ser buscada a qualquer custo. A falta de redundância é capaz de varrer do mapa uma organização.

E o que deve ser feito?
A interação entre as pessoas tem de ser estimulada, as atividades de planeja-
mento e controle precisam estar sempre disponíveis para uma reavaliação e
regras devem anteceder à criação e o desenvolvimento das regras.

O sr. dá 100% de garantia sobre esses conselhos?
Quis oferecer uma explicação para a dinâmica das organizações, melhor do que
as outras disponíveis. Estou convencido que o livro pode proporcionar um grande avanço na eficácia das organizações.