Pelo porte, parece um modelo igual ao que estampa os cartazes da loja. Mas o dinamarquês Jacob Bjerregaard, 34 anos, atua nos bastidores da moda. Como diretor da grife alemã Hugo Boss para a América Latina, ele tem a missão de levar a marca ao topo do mercado de luxo no Brasil. É tarefa difícil quando se observa a trajetória da grife no País. A Hugo Boss teve mais de 20 lojas, fabricação local e dezenas de franqueados. Em 2005, contudo, a operação local foi encerrada. Agora, sob o comando da matriz, a grife volta suas atenções ao Brasil: abriu duas lojas em São Paulo e se prepara para inaugurar mais uma. Na entrevista que segue, Bjerregaard anunciou à DINHEIRO os planos da grife. Acompanhe:

Quais são os planos da Hugo Boss no Brasil?
A nossa meta é ter dez lojas nos próximos cinco anos. Para isso, investimos US$ 5 milhões nos últimos três anos e pretendemos abrir lojas no Rio e em Brasília. Mas, por enquanto, vamos nos concentrar em São Paulo, onde já temos duas lojas.

Pretende abrir mais lojas na capital paulista?
Sim, pelo menos mais duas.

E quanto a outras cidades?
Não descartamos a possibilidade de expandir além do eixo Rio-São Paulo. Sabemos que cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte e, até mesmo, Campinas têm grande potencial.

Há espaço para esse crescimento?
Sim. O Brasil tem a maior economia da América Latina. No México, que tem a segunda maior, temos 23 lojas em funcionamento. Dá para ter uma idéia de onde podemos chegar. Mas tudo depende de identificar o momento adequado.

Mas a Hugo Boss já teve mais de 20 lojas no Brasil e não prosperou. O que aconteceu?
Até 2002 uma parte da coleção era produzida e consumida aqui. Era preciso uma grande estrutura para fabricar e distribuir um número pequeno de peças. O risco de perder dinheiro poderia comprometer a qualidade, que afetaria as vendas, formando um ciclo vicioso e fatal. Optamos por interromper a produção local e hoje as lojas brasileiras vendem somente produtos importados. Se funciona nos outros 109 países onde atuamos, por que no Brasil haveria de ser diferente?

A mudança desagradou franqueados e a marca foi processada. Como está essa situação?
Há dois processos. Na época, havia necessidade de reposicionar a marca. Diante dessa decisão, alguns optaram por romper conosco. Mas nós nunca deixamos de acreditar no nosso potencial. Um detalhe que poucos sabem é que, ao abrir um processo no Brasil, o pagamento das dívidas fica suspenso. Então, apesar de termos fornecido as mercadorias e de elas terem sido vendidas, não recebemos o dinheiro porque o processo ainda está em curso. Mas já obtivemos ganho de causa em primeira instância.

O produto importado custa mais caro. O cliente brasileiro está preparado para receber a marca do mesmo modo que acontece no Exterior?
Sem dúvida. Os brasileiros conhecem a Hugo Boss.

A marca tem força para concorrer com grifes fortes como Armani e Zegna?
Não quero ser arrogante, mas somos uma das maiores grifes de luxo e sabemos como fazer negócio. Em termos mundiais, considerando apenas a moda masculina, a Hugo Boss é duas vezes maior que a Zegna e três vezes maior do que a Armani. Atingiremos a liderança aqui também.

No primeiro semestre, a marca cresceu, no mundo, 19% em relação ao mesmo período de 2005, faturando 54 milhões de euros. Quais foram os motivos desse crescimento?
Apesar de 99% de nossa linha ser masculina, o setor feminino se superou, crescendo 38%, e deu um grande impulso.

Como conseguir o mesmo resultado no Brasil?
Não temos uma fórmula secreta. Nosso produto é bom e isso é o que define o sucesso.