12/06/2002 - 7:00
Todos os anos, no dia 16 de agosto, milhares de pessoas visitam a cidade de Memphis, nos Estados Unidos, para ?encontrar? Elvis Presley. Os homens aparecem usando costeletas compridas, roupas extravagantes e colarinhos levantados. As mulheres prestam reverência com lágrimas e flores. A cada 16 de agosto, um sentimento de comoção toma conta dos americanos. Nessa data, precisamente no ano de 1977, o rei do rock foi encontrado morto em Graceland, sua residência nos arredores de Memphis. O cantor que hipnotizava multidões com sua voz potente e seu quadril inquieto, ainda hoje mantém viva uma legião de seguidores. E esta legião compra tudo o que diz respeito ao ídolo: discos, livros, enfeites, brinquedos, roupas, DVDs. De olho neste mercado consumidor, estimado em 1 milhão de pessoas somente nos EUA, empresas de todos os segmentos batem à porta da Elvis Presley Enterprise (EPE) ? que cuida dos negócios do artista ? em busca de parcerias. Este ano o diretor-geral da EPE, Jack Soden, diz que o movimento será intenso. Isto porque será celebrado o 25º aniversário da morte do rei do rock e Soden acredita na mística do número: um quarto de século sem Elvis é uma marca que deve render homenagens e negócios muito maiores do que nos anos anteriores.
A primeira a bater à porta da EPE foi uma parceira antiga, a BMG ? divisão fonográfica da gigante alemã de mídia Bertelsman, dona de um faturamento de US$ 17,6 bilhões. A BMG, por meio de sua coligada RCA Records, chegou oferecendo um negócio ousado, batizado de multiplataforma de marketing. O pacote começa com um lançamento especial trazendo os 30 maiores sucessos de Elvis. A gravadora também levará ao mercado 4 caixas de CD com 100 canções não incluídas em nenhum dos discos lançados pelo cantor. A divulgação da megacampanha de marketing contará com o apoio de empresas como AOL e Lycos. Além disso, a Disney incluirá cinco músicas do rei do rock na trilha sonora do filme Lilo & Stitch, a ser lançado ainda este ano. A BMG não revela detalhes financeiros da operação. Seus executivos prometem dar mais informações nos próximos dias.
Toda essa movimentação da gravadora não é à toa. O cantor é ainda um dos maiores ícones da empresa, com 1 bilhão de cópias vendidas. Somente na última década, Elvis vendeu 50 milhões de discos. ?Nossa missão agora é conquistar uma nova geração de fãs para as músicas de Elvis Presley?, diz Rolf Schimdt-Holtz, presidente da BMG. Enquanto a gravadora trabalha com edições históricas do rei do rock, a EPE costura acordos milionários na área de licenciamento. Nos próximos meses, a companhia que cuida do patrimônio de Elvis ? comandada pela filha do cantor, Lisa Marie ? anunciará as marcas que irão explorar de alguma forma a imagem do astro em seus produtos. Na lista estão, segundo a EPE, líderes mundiais nos setores automotivo, de esportes, cartão de crédito, vestuário, varejo, alimentos e bebidas. Calcula-se que as atividades de licenciamento rendam o dobro neste ano do 25º aniversário de morte. Num ano comum, a EPE fatura cerca de US$ 80 milhões.
Elvis Presley é uma máquina de fazer lucros. Não há números fechados sobre as receitas totais da EPE, mas o mercado estima algo em torno dos US$ 300 milhões anuais contando licenciamento, direitos autorais, participação em produções para TV e as receitas com um restaurante e o hotel Heartbreak, localizados no centro de Memphis. Além disso, há os ganhos com os ingressos para conhecer a mansão Graceland, transformada em museu e onde se vendem artigos estampados com a foto do cantor. Cerca de 700 mil pessoas visitam a residência de Elvis a cada ano. A EPE agradece. E a indústria turística de Memphis comemora: US$ 150 milhões entram anualmente nos cofres da cidade graças ao mito.