11 Há cinco anos no mercado, a Cepevil é a única empresa do País que produz carvão vegetal em briquetes (pequenos blocos de formato retangular). Além de utilizar matéria-prima somente de áreas de reflorestamento ou de manejo florestal, o carvão em briquetes é feito a partir da moinha, um subproduto das carvoarias. ?Um ganho do nosso carvão é a retirada de resíduos da natureza. Normalmente, a moinha fica ao relento, o que gera um grande problema?, diz Dílso Rossi, sócio-proprietário do Grupo Empal, controlador da Cepevil. Para se ter uma ideia do benefício ao meio ambiente, a unidade da empresa em União da Vitória (PR) consome 1,5 mil toneladas da matéria-prima por mês. ?A retirada do produto do meio ambiente está sendo feita na sua totalidade nas carvoarias próximas?, completa. Com o diferencial de produzir carvão sem resultar em devastação de florestas, a Cepevil chamou a atenção do mercado internacional. Hoje, exporta 80% de sua produção para os Estados Unidos e para países europeus.

 

12 Para fazer valer seu investimento na rede elétrica de regiões pobres, a Coelba, a empresa de energia elétrica da Bahia, adotou uma estratégia pouco ortodoxa. Ao contrário do que se espera de uma companhia de energia, a concessionária baiana incentivou seus clientes a consumir menos. O que parece uma incoerência, contudo, se revelou uma boa forma de diminuir a inadimplência e a incidência de roubos de energia no Estado. Desde que passou a promover o consumo responsável e a distribuição de refrigeradores e lâmpadas eficientes, aumentou para quase 100% o índice de arrecadação. Já o índice de perda, que era de 14% em 2005, caiu para 12,4%. A empresa já distribuiu 380 mil lâmpadas e 30 mil refrigeradores, o que chegou a reduzir o consumo em 70% em algumas residências. As geladeiras antigas são retiradas e o gás é extraído para não contaminar o meio ambiente. As contas chegaram a cair de R$ 120 para R$ 38. Mas, considerando que a conta anterior muitas vezes não era paga, a empresa enxerga uma situação melhor. Em seu plano de promover um consumo que caiba no bolso do cliente, a Coelba também reformou as instalações elétricas internas em 15 mil residências. ?Nós ajustamos o consumo à capacidade da família e esperamos gerar alguma atividade econômica a partir disso?, explica Marcelo Corrêa, presidente do grupo Neoenergia, do qual a Coelba faz parte.
 

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13 As latas de alumínio, as mais usadas pela indústria de bebidas, demoram 100 anos para se decompor na natureza. Já as de aço, de oito meses a cinco anos. Sob a ótica ambiental, portanto, as latas de aço são indiscutivelmente superiores às de alumínio. Acontece, contudo, que apenas uma empresa no Brasil, a cearense Metalic, do grupo CSN, utiliza aço na fabricação do produto. Não havia mercado. Mas isso começa a mudar. A Metalic fechou contrato com a gigante Coca-Cola para produzir embalagens de 350 ml e 240 ml para os refrigerantes da marca vendidos no Nordeste. Espera-se que a vantagem ambiental motive outras companhias a apostar no aço, o que expandiria o mercado. A produção atual é de 100% da capacidade da Metalic, mas o crescimento do consumo de aço poderá motivar a CSN a ampliar a produção com investimentos em outras regiões do País. ?Se o mercado crescer, nos prepararemos para atender à demanda. A vantagem do aço em relação ao alumínio é grande e o custo é semelhante. Cada lote de mil latas custa US$ 85, em média, em qualquer um dos dois metais?, disse o diretor da Metalic, Carlos Alberto Augusto. Em tempos de preservação ambiental e de otimização de custos, a substituição do alumínio pelo aço faz todo o sentido.

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14 Quando o tema da sustentabilidade passou a fazer parte do dia a dia das grandes empresas, a Dedini Indústrias de Base tomou uma decisão acertada. Maior fornecedora de equipamentos para usinas sucroalcooleiras do País, a empresa percebeu que era necessário criar soluções para os clientes que contemplassem o uso inteligente de insumos. Então, há mais de um ano, a companhia vem trabalhando dentro de um novo projeto batizado de Usina Sustentável Dedini. É uma espécie de fábrica de soluções sustentáveis. A equipe de engenheiros do grupo passou a pensar nas demandas dentro de uma visão mais crítica. Para processar a cana, por exemplo, era preciso utilizar grandes quantidades de água, com elevada perda na evaporação. Desde o ano passado, os maquinários fabricados pela companhia usam catalisadores para evitar a perda de vapor e promover o uso da própria água da cana. A Dedini já tem hoje equipamentos que conseguem captar de 350 a 400 litros de água potável para cada tonelada de cana processada. Além disso, nesse projeto também está a geração de eletricidade por meio da queima de bagaço e de palha. Com capital 100% nacional e seis fábricas espalhadas no Brasil, a Dedini tem buscado pautar seus projetos de criação de usinas dentro de um grupo de normas. São elas a redução do consumo de energia e emissão de CO2, redução de desperdício, separação do bagaço da cana para geração de energia, além de tratamento e reúso da água. Essas ações foram classificadas pela empresa de ?seis bios? (bioaçúcar, bioetanol, bioeletricidade, biodiesel, biofertilizantes e bioágua).
 

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15 O acesso à energia elétrica é fator essencial para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Mas o programa Energia Comunitária, da Elektro, mostra que é possível fazer mais do que isso. O projeto, que começou a ser implantado em 2006, já alcançou 61 comunidades de 17 municípios atendidos pela empresa, no litoral e no interior de São Paulo. Quando chega a um local, o programa adota a comunidade e atua como articulador social, reforçando a associação de moradores para que o trabalho continue após o período de atuação da empresa, que geralmente dura um ano. Entre as ações estão a troca da fiação de rua e das residências, de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas e em alguns casos até a de geladeira e a instalação de painéis de energia solar. ?Com isso, conseguimos uma redução de até 3% na conta?, diz o coordenador do Programa de Eficiência Energética, Evandro Romanini. Até agora, 23,8 mil residências já foram beneficiadas com a troca de 4,7 mil refrigeradores e a doação de 692 mil lâmpadas. Além do aumento do conforto das famílias, as novas instalações dão mais segurança e reduzem o risco de incêndios. Outra ação social, em parceria com as prefeituras, é a nomeação de ruas e instalação de placas. Desde 2006, a Elektro investiu R$ 42 milhões no projeto.
 

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16 A Embraer, uma das maiores empresas do Brasil, está colocando em prática um ambicioso plano para integrar suas ações sociais e ambientais. A ideia dos executivos da companhia é fazer com que suas atividades na área de sustentabilidade envolvam cada vez mais os representantes da sociedade, como escolas e universidades. ?Montamos um plano de revitalização das margens do rio Paraíba, com a plantação de 1,5 mil árvores, e estudantes de São José dos Campos participaram de todo o projeto?, conta Guilherme Freire, diretor de estratégia e tecnologia para o meio ambiente da Embraer. ?Não é só uma questão de ampliar a área verde, mas de conscientizar a população.? Além disso, há projetos futuros na manga. Ao final de 2009, a Embraer e a General Electric assinaram um acordo para avaliar aspectos técnicos e de sustentabilidade de um novo combustível renovável. A responsável pelo projeto será a Amyris ? empresa americana que usa biologia para desenvolver produtos renováveis para a indústria química e de transportes. A ideia do projeto é reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, a uma taxa não revelada. A expectativa é de que esse novo querosene já seja usado em 2012.
 

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17 Um documentário sobre biodiversidade foi uma das formas encontradas pela empresa petroquímica ExxonMobil para conscientizar crianças quanto à importância da preservação ambiental no ecossistema amazônico. O filme está sendo feito por 15 jovens na reserva de desenvolvimento sustentável Mamirauá, no município de Fonte Boa, no coração da Floresta Amazônica, a cerca de 700 quilômetros de Manaus. Há quase um século no País, a ExxonMobil (antiga Esso) patrocina o projeto, que conta com o apoio da agência americana para desenvolvimento internacional (Usaid, na sigla em inglês) e representantes da reserva. Em fase final de edição, o documentário será adotado por escolas da região como material didático. Não haveria melhor lugar para a realização de um filme do gênero. Mamirauá transpira riqueza natural. Ela foi apontada pela revista americana Condé Nast Traveler como o melhor destino de ecoturismo do mundo. A Unesco considera a região um sítio do patrimônio natural da humanidade. ?Essa é uma das maiores áreas protegidas do planeta e um patrimônio, sem dúvida, de todas as pessoas do mundo?, afirma Maria Luiza Soares, gerente de assuntos institucionais da ExxonMobil no Brasil. ?É um orgulho para nós poder contribuir para a preservação dessa região tão rica e bela.?
 

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18 Poucos setores da economia são tão visados pelos ecologistas como a indústria automobilística. Por isso mesmo, as empresas do setor passaram a dar uma atenção especial à questão da sustentabilidade. Na General Motors do Brasil, o grande desafio é a redução de resíduos e o reaproveitamento dos insumos usados na produção. Hoje, o índice de reciclabilidade da filial é de 97%, chegando a 98,3% na fábrica de Gravataí (RS). Nessa conta estão desde materiais tradicionais, como papel, plástico, isopor e madeira, até borra de tinta e a água usada nas estações de pintura. Alguns desses materiais são transformados em insumos que voltam para a linha de produção. O que sobra é enviado para aterros previamente cadastrados. ?Nossa política global de sustentabilidade prevê a redução e racionalização de todos os insumos oriundos de recursos naturais?, destaca Cláudio Eboli, diretor da GM. Mais que consciência ambiental, a montadora enxerga nesse trabalho uma chance de se tornar cada vez mais competitiva, reduzindo seus custos fixos. Por conta disso, a filial da empresa começou a desenvolver e vender subprodutos de seu processo industrial. Um deles é o adubo gerado a partir da compostagem de material orgânico, como sobras de alimentos das cantinas e restaurantes da empresa. Por meio da parceria com uma empresa agrícola, a fábrica de São José dos Campos (SP) pretende colocar no mercado, até o final do ano, o ?adubo GM?.
 

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19 O plástico é um dos maiores vilões do ambiente. A desintegração desse composto leva, em média, um século. Para diminuir seu impacto, os supermercados incentivam os clientes a levar as compras para casa em sacolas biodegradáveis ou caixas de papelão. Mas só isso não basta se as embalagens dos alimentos não mudarem. O grupo mexicano Bimbo, dono de marcas como Pullman, Plus Vita, Ana Maria e Nutrella, entre outras, iniciou no ano passado a utilização de uma fórmula em suas embalagens que diminui o tempo de decomposição do plástico para três a cinco anos. A tecnologia desenvolvida pelo grupo adiciona à embalagem um polietileno que ajuda a desprender as moléculas em contato com o oxigênio. Chamada de oxodegradável, essa técnica foi colocada nas linhas dos produtos Nutrella. No produto, um selo verde com a mensagem ?100% degradável? indica ao consumidor os benefícios para a natureza. Alguns segmentos da Pullman, a marca mais conhecida do grupo, já começaram a utilizar esse plástico ecológico. Até o meio do ano, 100% dos produtos vendidos pela Bimbo seguirão esse modelo.

 

20 A geração Y, formada por pessoas nascidas no fim dos anos 80, considera a internet parte integrante de suas vidas. Nada mais natural do que navegar no Orkut, conversar pelo MSN e jogar online. A falta de uma discussão mais aprofundada sobre essas novas ferramentas tecnológicas fez com que a empresa de telefonia GVT apostasse em um projeto para conscientizar crianças e adolescentes sobre os riscos da rede. O Guia para o uso responsável da internet, que já está em sua segunda edição com tiragem de 40 mil exemplares, se tornou um conteúdo de referência em salas de aula de escolas públicas, principalmente do Paraná, e em lan houses. ?O material é usado por professores para discutir com os alunos essa nova realidade?, diz Tatiana Weinheber, gerente de comunicação corporativa da companhia.  Dados da organização não governamental Safernet, que combate crimes pela internet, mostram que o debate é urgente. Nos dois primeiros meses deste ano, a ONG já recebeu mais de 9 mil denúncias. Mais da metade referia-se à pornografia infantil e incitação à violência pela web. Os guias produzidos pela GVT abordam temas como cuidados em redes sociais, etiqueta, crimes virtuais, pedofilia e lixo tecnológico. Histórias em quadrinhos que ilustram situações cotidianas do uso da internet ajudam a passar a mensagem de forma didática. O projeto já beneficiou 160 mil pessoas desde 2008, quando os guias começaram a ser produzidos. Em 2010, a GVT vai investir R$ 300 mil para criar uma versão online, com conteúdos voltados para filhos, pais e professores. A versão impressa vai ter sua tiragem ampliada para 50 mil exemplares.

 

Confira as demais empresas do especial:

> 50 Empresas do Bem (1ª a 10ª)

> 50 Empresas do Bem (21ª a 30ª)

 

> 50 Empresas do Bem (31ª a 40ª)

 

> 50 Empresas do Bem (41ª a 50ª)