19/03/2010 - 6:00
31 A partir de maio, uma pequena frota de três novos ônibus urbanos da Mercedes-Benz do Brasil começa a circular nas ruas da capital paulista. Trata-se da primeira aplicação prática dos estudos que a fabricante tem feito no País, há dois anos, com veículos movidos a biocombustíveis. A parceira da empresa alemã nessa empreitada é a americana Amyris, especializada em produtos renováveis e fornecedora do combustível inovador. A fórmula testada pelas companhias foi o uso em um tanque de combustível de 90% de diesel comercial e 10% do novo diesel, produzido a partir de cana-de-açúcar. ?Mesmo presente em um porcentual aparentemente pequeno, o novo combustível já proporcionou uma redução de 9% nas emissões de material particulado, sem aumentar em nada as emissões de nitrogênio?, comenta Gilberto Leal, gerente de desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz do Brasil. Os testes com o uso de biocombustíveis nos veículos são feitos pela companhia desde a década de 70, mas ganharam mais força a partir de 2007. De lá para cá, a Mercedes vinha realizando pesquisas que comprovaram a eficiência da aplicação. ?Os veículos movidos a biocombustível mantiveram a mesma performarnce e o mesmo consumo quando comparados aos veículos movidos de maneiras convencionais?, afirma Leal. Os resultados animadores fizeram a empresa traçar um plano bem arrojado: aumentar a porcentagem do uso de cana no combustível aos poucos até chegar a 100% em janeiro de 2011. ?Os primeiros veículos serão testados em São Paulo por seis meses e temos a expectativa de que a frota seja ampliada logo depois?, diz o gerente.

32 Além de levantar a poeira pelos caminhos que trilha e encher seus competidores de adrenalina, o rali Mitsubishi Motorsports, promovido pela montadora, também beneficia pessoas carentes que vivem nas cidades em que o evento é realizado. A ação Mitsubishi Pró-Brasil é realizada há 16 anos, desde que a competição foi criada no Brasil, com a doação de 30 quilos de alimentos não perecíveis por dupla de participantes, pagos como taxa de inscrição. Até hoje, já foram arrecadadas mais de 600 toneladas de alimentos, distribuídos em todos os Estados brasileiros. As doações são repassadas durante o ano para 45 entidades sociais nas 11 cidades do País onde as corridas acontecem. ?Desta maneira, ajudamos a população carente de cada cidade por onde o rali passa. É uma maneira carinhosa de agradecermos a cidade por ter recebido o evento?, conta Corinna Souza Ramos, diretora de projetos especiais da Mitsubishi Motors.

33 O ciclo econômico da destruição se repete há séculos. Florestas se tornam lucrativos pastos para a criação de gado. Rios se tornam canais de esgoto, de forma simples e barata. Se depender da Fundação O Boticário, mantida com 1% do faturamento da fabricante de cosméticos, o incentivo a quem destrói dará espaço a quem preserva. A entidade desenvolveu anos atrás o Projeto Oásis, que faz doações para donos de propriedades que desenvolvem iniciativas de preservação da água. Agora, os resultados começam a aparecer. Na região metropolitana de São Paulo, no entorno da represa do Guarapiranga, 13 donos de terras com consciência ambiental foram credenciados pelo Projeto Oásis para receber R$ 370 anuais para cada hectare de vegetação preservada. Parece pouco, mas não é. Dias atrás, o dono de uma área importante, que abriga várias nascentes, recebeu R$ 93.750 pelas iniciativas de preservação da área. ?Quebramos o paradigma do estímulo à destruição. Várias pessoas têm sido beneficiadas financeiramente pelo apoio à conservação ambiental?, destaca Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Em média, cada participante recebeu R$ 15 mil de incentivo, com apoio de US$ 450 mil da Fundação Mitsubishi. A ideia agradou. Segundo Malu, diversas empresas negociam parceria com a Fundação O Boticário para ampliar o universo de atuação do projeto. Se a moda pegar, agredir a natureza será mais do que um gesto de falta de consciência. Será um péssimo negócio.

34 Em 2005, a Perdigão, uma das maiores indústrias de alimentos do Brasil, descobriu que tinha um enorme desafio ambiental pela frente. Para cumprir as exigências do Protocolo de Kyoto, ratificado no mesmo ano, e mitigar os efeitos danosos da criação de animais, a empresa precisava dar uma solução para o problema dos dejetos gerados pela suinocultura. Em 2006, depois de designar uma equipe de estudo para analisar o assunto, a companhia colocou em prática um programa de transformação do metano (liberado pela decomposição dos dejetos dos suínos) em gás carbônico. Parece estranho, mas é isso mesmo. ?O metano é 20 vezes mais prejudicial ao meio ambiente do que o gás carbônico?, diz Nilvo Mittanck, diretor de operações da Brasil Foods, empresa nascida da associação entre Sadia e Perdigão, em 2009. O processo consiste na instalação de biodigestores, equipamentos que coletam e tratam os excrementos dos suínos, nas unidades criadoras de animais da Perdigão. Desde que o programa foi implementado, há quatro anos, foram instalados 134 biodigestores nas fazendas produtivas da empresa, iniciativa que consumiu recursos de R$ 10,3 milhões. O primeiro balanço do projeto revelou sua eficiência. Até agora, o Programa de Suinocultura Sustentável reduziu, nessas unidades criadoras de animais, em 11% a emissão dos gases do efeito estufa.

35 Pelo menos 10,6 milhões de crianças e adolescentes em 1.416 municípios de 11 Estados do semiárido tiveram uma melhoria em suas condições de vida graças ao Selo Unicef: Município Aprovado. Mas se engana quem pensa que o mérito é exclusivamente da organização ligada à ONU. O programa funcionou com o apoio da Petrobras. ?Fazemos uma aliança com o poder público dos municípios, mas também buscamos uma grande mobilização social, através da articulação dos gestores públicos?, diz Janice Dias, gerente de programas sociais da Petrobras. Na prática, isso significa uma melhora especialmente nos indicadores de educação e saúde. O município de Horizonte, no interior do Ceará, sentiu a diferença desde que foi incluído no programa, há seis anos. Desde 2003, as escolas funcionam em tempo integral, o que ocasionou um salto nos indicadores de escolaridade. Entre 2004 e 2007, o percentual de adolescentes de 14 a 15 anos com ensino fundamental concluído passou de 18,8% para 33,6% e a taxa de abandono escolar na rede municipal caiu de 7,3% para 4,7%.

36 A ideia não é nova, mas é a solução de problemas ligados ao trânsito e a poluição. Enquanto o mundo discute meios alternativos para reduzir a emissão de poluentes, com veículos movidos a etanol, hidrogênio ou até células de combustível, a montadora francesa Peugeot já desenvolve a bicicleta elétrica. Sim, bicicleta. Na Europa, a novidade tem sido oferecida como opção prática e ecológica para locomoção. Esta é a primeira experiência da marca com a bicicleta elétrica. Híbrida, a bicicleta elétrica Peugeot foi desenvolvida a partir de parceria com a Ultra Motor ? uma das líderes mundiais no desenvolvimento de veículos elétricos ? e integra uma bateria removível de lítio de 36 V e um motor elétrico de 250 watts, que permitem uma autonomia de até 70 quilômetros. A facilidade de utilização é garantida até mesmo nas inclinações mais extremas, graças aos três níveis de assistência e ao sensor de torque que a equipam. Itens como freios de disco dianteiros e traseiros, luzes automáticas e independentes e suspensão conferem maior segurança e comodidade ao usuário, em qualquer circunstância. A novidade, além de simples e econômica, mostra que a indústria automobilística está engajada na busca por alternativas à mobilidade global e na proteção do meio ambiente.
37 A principal função da Redecard é capturar transações de cartão através de suas maquininhas eletrônicas. Mas você já reparou na quantidade de papel que se gasta a cada compra com o dinheiro de plástico? Para diminuir esse consumo, a empresa promove, desde 2008, uma campanha com os lojistas, incentivando a troca do extrato mensal em papel pelo formato eletrônico. Desde o seu início, 80% dos estabelecimentos credenciados aderiram ao extrato virtual, o que gerou economia de 20 milhões de folhas de papel. ?Esta foi uma das maneiras encontradas de preservar o meio ambiente e reduzir os custos operacionais?, diz Viviane Behar, diretora da área de relações com investidores da Redecard. ?Neste ano, estamos pensando em iniciar uma campanha com a segunda via do tíquete?, completa ela. O potencial de economia é imenso: no ano passado, foram feitos quase dois bilhões de transações com os cartões aceitos pela rede. A redução do consumo de papel é parte do conceito ?três R?: reduzir, reciclar e reutilizar, que a empresa adotou há oito anos, ao começar a usar o papel reciclado e impressão frente e verso.
38 Um pneu que registra um nível de atrito com solo abaixo da média e, com isso, consegue reduzir o consumo de combustível do carro. Ou uma nova poliamida, mais flexível e facilmente moldada, que pode substituir o metal presente em um automóvel. Em ambos os casos, a Rhodia tem participação direta, com a criação de matérias-primas que trazem avanços no desenvolvimento de novos produtos. ?Queremos criar soluções não só cada vez mais sustentáveis, mas que sejam economicamente viáveis para os nossos clientes. Na Rhodia, as duas questões andam paralelamente?, diz Marcos De Marchi, presidente da Rhodia América Latina. Um dos principais destaques nesse sentido é uma sílica chamada Zeosil. Criado em laboratório, esse material químico é usado para reforçar a borracha e foi trazido ao Brasil há dois anos. ?O pneu com Zeosil faz o carro reduzir em 5% o consumo de combustível e as emissões de gás carbônico?, diz De Marchi. Segundo ele, há um grande trabalho da empresa para mostrar aos clientes que é possível recriar produtos com matérias-primas diferenciadas e garantir retorno do investimento no curto prazo. ?Há empresas que não querem abrir mão de margem de lucro para serem sustentáveis. Mostramos que é possível reinventar produtos e ser lucrativo?, diz o executivo. Nos últimos cinco anos foram investidos US$ 250 milhões em diversos projetos na Rhodia do Brasil, com destaque para a ampliação da capacidade produtiva e o desenvolvimento de novos produtos, além de projetos de redução de emissões de gás de efeito estufa, dentro do escopo do Protocolo
de Kyoto.

39 A Sabesp, a companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo, tem usado a tecnologia para evitar desperdício de água. A empresa passou a oferecer um novo sistema de telemedição que permite o controle em tempo real. Com isso, vazamentos são identificados facilmente. Mais de três mil clientes já aderiram ao novo sistema, que custa entre R$ 220 e R$ 450. ?O retorno costuma ser imediato e já houve casos em que o investimento feito pelo cliente foi recuperado em poucas horas de funcionamento?, declara Marcelo Fornaziero de Medeiros, gerente do Departamento de Desenvolvimento Operacional e de Medidores. Paralelamente, a Sabesp mantém um sistema de gestão de todos os mais de sete milhões de hidrômetros, capaz de apontar por quadra qual medidor precisa ser trocado e qual o desempenho de cada um, além de ajudar na identificação de fraudes. Por ano, a Sabesp investe mais de R$ 1 bilhão para tentar levar saneamento básico a todas as pessoas do Estado. Um objetivo que só poderá ser atingido com a preservação dos mananciais e o consumo racional da água.
40 A sustentabilidade é parte da estratégia do Banco Santander como um todo. É por meio de ações com esse objetivo que o banco faz uma revisão de sua atuação no desenvolvimento social, cultural e ambiental do País. ?E isso vai além de criar projetos ou financiar ONGs?, diz Laura Oltramare, superintendente de desenvolvimento sustentável do Santander. ?Também inclui a criação de produtos e serviços.? Foi assim que surgiu, por exemplo, em 2003, o fundo Ethical, que reúne empresas aferidas pelo Santander que incluam práticas sustentáveis em suas organizações. ?Desta forma, o investidor sabe que está investindo o seu dinheiro em companhias com esse perfil.? Entre as ações sociais promovidas pelo banco está o programa Amigo de Valor, um projeto que estimula e facilita a destinação de parte do Imposto de Renda devido, de funcionários, clientes e fornecedores, aos Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. Desde 2002, o programa já direcionou para a promoção de ações de proteção dos direitos do público infanto-juvenil no Brasil mais de R$ 37 milhões. ?Somente entre os nossos funcionários a adesão é de 54%?, afirma Laura. Entre as instituições apoiadas pelo banco está o Grupo Cultural AfroReggae. A parceria dá origem a projetos de inclusão social de jovens que vivem em situação de risco, em cinco comunidades cariocas: Cantagalo, Complexo do Alemão, Parada de Lucas, Vigário Geral e Nova Iguaçu.

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