O bitcoin atingiu o valor mais baixo desde novembro e seguia caminho para encerrar a semana com a maior queda em mais de dois anos, arrastado por uma liquidação de ações de empresas vinculadas ao setor de tecnologia em um momento em que um o roubo de US$1,5 bilhão em criptomoedas e dúvidas sobre a política dos Estados Unidos para o setor pressionam a confiança dos investidores.

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A maior criptomoeda do mundo em valor de mercado caiu até 7% nesta sexta-feira, para US$78.273, menor valor desde 10 de novembro e rumando para o quinto dia consecutivo de desvalorização.

O bitcoin acumula baixa de 16% nesta semana passada, a maior queda semanal desde o colapso da bolsa de criptomoedas FTX em novembro de 2022. Segundo a Coingecko, somente nesta semana o mercado de moedas digitais tem perda de meio trilhão de dólares.

“As pressões inflacionárias, as perspectivas de crescimento estão desmoronando e as tarifas de Trump não estão indo embora. E com a atenção de Trump (em) qualquer coisa, exceto a desregulamentação do setor de criptomoedas, os investidores de bitcoin não estão felizes”, disse Matt Simpson, analista sênior da City Index.

O bitcoin normalmente é negociado em linha com ativos como ações de empresas de tecnologia que sobem quando os investidores estão otimistas quanto ao crescimento econômico. O índice Nasdaq, que lista papéis do setor, também está no patamar mais baixo desde novembro.

Os investidores temem que o chamado excepcionalismo da economia dos EUA possa estar desaparecendo e estão nervosos com as medidas de Trump para impor tarifas que alimentaram o medo de uma inflação global mais alta e um crescimento mais lento. Os investidores também não se mostraram satisfeitos com o desempenho da projetista de chips de inteligência artificial Nvidia no quarto trimestre.

O fator Donald Trump

Para a maior criptomoeda do mundo, o ambiente está muito diferente desde meados de janeiro, quando se aproximou de US$110 mil com o otimismo de que o governo Trump defenderia um fundo estratégico de bitcoin e afrouxaria a regulamentação sobre moedas digitais.

Mas além de uma enxurrada de nomeações de funcionários favoráveis às criptomoedas quando Trump assumiu o cargo, houve poucas notícias concretas sobre essa política para os investidores.

A queda do bitcoin “mostra que os sentimentos positivos de uma administração favorável às criptomoedas se esgotaram“, disse Joshua Chu, copresidente da Hong Kong Web3 Association. “Está claro que o bitcoin é um ativo de risco, e não a proteção contra a inflação ou o ouro digital que muitas vezes é apresentado como sendo.”

O presidente republicano prometeu durante a campanha flexibilizar as regulamentações das criptomoedas e até sugeriu a criação de uma reserva estratégica de bitcoins nos Estados Unidos. Com sua vitória nas eleições de novembro, o valor do bitcoin e a cotação das criptomoedas em seu conjunto registram alta expressiva.

Porém, o risco de uma guerra comercial em todas as direções com a presidência de Trump reduziu a empolgação dos investidores, que tendem a se desfazer de seus ativos mais especulativos e arriscados, como o bitcoin.

A queda mais recente da moeda digital aconteceu depois que Trump anunciou tarifas adicionais de 10% contra produtos chineses e a implementação das tarifas de 25% para Canadá e México que estavam suspensas.

“Levando em consideração o contexto macroeconômico, não é surpreendente ver que estamos nesta situação, especialmente porque os investidores ainda aguardam medidas concretas da administração Trump a favor dos criptoativos”, comentou Stefan von Haenisch, da empresa de reservas de criptomoedas Bitgo, em uma entrevista à agência Bloomberg.

Não é só o bitcoin

O ether, a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, caiu 6%, para US$2.149,38, em torno de seu valor mais baixo desde janeiro de 2024. A memecoin “TRUMP” do próprio Trump, que ele lançou em sua posse, perdeu 50% do valor desde então, enquanto o token “MELANIA” de sua esposa perdeu 90%.

Os investidores também têm retirado dinheiro dos fundos negociados em bolsa de bitcoin. Os ETFs de bitcoin listados nos EUA registraram saídas de US$2,27 bilhões até o momento nesta semana.

Os analistas do Bank of America disseram em uma nota nesta sexta-feira que o fato do preço médio diário do bitcoin ter enfrentado dificuldades para ultrapassar US$97.000 desde novembro foi o primeiro sinal do “estouro da bolha”.

O mundo das criptomoedas tem estado nervoso depois que a Bybit, sediada em Dubai, a segunda maior bolsa do mundo depois da Binance, disse na semana passada que hackers haviam roubado cerca de US$1,5 bilhão em ether, no que se acredita ser o maior roubo de criptomoedas de todos os tempos.

“Trata-se de uma combinação de forças macroeconômicas. Mais tarifas, incertezas em relação à geopolítica e à guerra, e o hack da ByBit também não ajudou na confiança”, disse Reuben Conceição, diretor de estratégia da empresa de carteiras digitais Metasig.

A bolsa de criptomoedas Coinbase Global e a compradora de bitcoins Strategy caíram 2,3%, enquanto as mineradoras Riot Platforms Inc e MARA Holdings caíram cerca de 3,5%.