A hanseníase, mais conhecida como lepra, é um mal antigo. Desde antes de Cristo, a doença já matava milhares de pessoas. Mas foi só em 1873 que o cientista norueguês Gerhard Hansen identificou o bacilo causador da enfermidade, o que tornou possível combatê-la. Mesmo assim, mais de um século depois da causa ser descoberta, milhares de pessoas são infectadas pela doença. O Brasil é o campeão de novos casos: 50 mil por ano. O principal motivo para esse resultado é a falta de informação dos próprios médicos. “Trata-se de uma doença que tem cura, se for diagnosticada com antecedência. É um tratamento longo, mas muito simples”, explica Almir Gentil, diretor de marketing e desenvolvimento da UNIMED BRASIL, cooperativa de médicos que fatura R$ 16 bilhões ao ano. Entre maio e junho, a empresa lançará uma campanha para conscientizar os seus 107 mil profissionais associados sobre o problema da hanseníase. “Em seis meses, será possível mapear a doença no Brasil e diagnosticar muitos casos ainda no início”, prevê o executivo. A Unimed investe R$ 600 milhões por ano em 1.065 projetos sociais nas áreas de saúde, de educação, de meio ambiente e de esporte. A ação destinada a combater a hanseníase é a nova aposta do convênio. “Um terço dos médicos do País é associada à Unimed. Muitos pacientes serão beneficiados, pois cerca de 90% dos nossos cirurgiões atendem na rede pública”, contabiliza Gentil. O projeto visa promover palestras e distribuir cartilhas em 591 escritórios da Unimed, 3.596 hospitais credenciados, 52 laboratórios e 31 centros de diagnósticos espalhados pelo País.

Os índices de obesidade de crianças entre cinco e 14 anos giram em torno de 10% a 15%. O mais interessante é que grande parte dessa fatia está concentrada nas classes mais pobres, que têm menos acesso à informação. Para diminuir esse e outros agravantes à saúde infantil, o cuidado com a alimentação é crucial. Por isso, a NESTLÉ criou, em 1999, o programa Nutrir, que visa compartilhar com a comunidade os conhecimentos sobre nutrição e contribuir para uma alimentação mais saudável e barata. Tudo isso é realizado por meio de palestras e materiais didáticos, que são distribuídos em mais de três mil escolas e organizações não-governamentais. “Investimos R$ 1,2 milhão por ano nesse projeto”, revela Silvia Zanotti, diretora da Fundação Nestlé Brasil. “Os resultados têm sido muito satisfatórios. Nosso modelo está sendo exportado para o México, o Equador, a Colômbia e a Venezuela”, reforça.

Desde que foi criado, o Nutrir capacitou 8,6 mil profissionais entre coordenadores pedagógicos e educadores. Ao todo, 800 mil crianças já foram atendidas. “Dos 17 mil funcionários da Nestlé, aproximadamente 1,25 mil são voluntários no projeto”, comemora a executiva. Em 2007, além das 23 cidades onde está presente, o Nutrir foi realizado pela primeira vez em João Pessoa, Teresina, Natal, Maceió, São Luís e Salvador. Com isso, cerca de 200 mil crianças e mais 2 mil educadores de 700 escolas públicas da região nordestina foram beneficiados.

Muitas crianças vão mal na escola e nem sabem que o principal motivo é a deficiência visual. De olho nisso, o ACHÉ Laboratórios criou na cidade de Guarulhos, em São Paulo, o programa Menina dos Olhos de Guarulhos, que atendeu mais de duas mil crianças em 2007 e distribuiu 855 óculos nas escolas públicas da região. Trata-se de um mutirão de 500 voluntários, entre médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo e outros profissionais da área da saúde, que diagnostica o problema de visão e fornece os óculos para as crianças. “Já descobrimos crianças com 11 graus de miopia e até alguns casos de catarata”, relembra Márcia Tedesco, gerente de responsabilidade social do Aché. “Esse tipo de diagnóstico precoce contribui diretamente no combate à repetência e à evasão escolar”, completa.

Em sua primeira versão, em 2006, o projeto já havia atendido 12 mil crianças e entregue 754 óculos nas escolas. Em 2008, a ação está agendada para o mês de maio. O Aché, dono de um faturamento de R$ 1,7 bilhão, destina R$ 2 milhões para o Menina dos Olhos de Guarulhos e para outros projetos sociais. A empresa investe em ações como a inclusão de deficientes visuais no mercado de trabalho, a fabricação de bulas de remédio em áudio e desenvolve embalagens em braile. Ela também doa medicamentos, roupas, alimentos e organiza programas de conscientização nas áreas de saúde e de higiene e incentiva a prática de esportes.

Dados do último estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, em 2006, mostram que cerca de 36 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza – com menos de R$ 4,20 por dia. Isso implica uma alimentação precária. Para garantir a refeição de parte dessa população, a PURAS, empresa do setor de alimentação com 12 sedes regionais, 818 restaurantes espalhados em todo o País e responsável por servir 650 mil refeições por dia em mais de 650 empresas, criou o Alimentação Solidária. O projeto, que nasceu em 2002, consiste em recolher o alimento excedente deixado nos restaurantes de 38 empresas parceiras, como Gerdau, Menphis, Taurus e Copesul, entre outras.

O total arrecadado é distribuído em 41 instituições e servido para mil pessoas todos os dias. “Em 2007, nós distribuímos 254 mil refeições”, comemora Hermes Gazzola, presidente da Puras. “Estamos falando de um setor que serve 7,5 milhões de refeições por dia. Se houvesse uma lei que obrigasse as empresas de alimentação a doar o seu excedente, o número de beneficiados seria muito maior”, protesta. Uma das adesões mais recentes ao projeto foi a da fábrica de móveis Florense, no Rio Grande do Sul. Em parceria com a prefeitura da cidade e com a Puras, mais de 40 crianças de zero a seis anos de idade agora têm a sua principal refeição do dia garantida.

Nos últimos 20 anos, o índice de cura do câncer infantil passou de 35% para 70%. Parte desses índices foi conquistado graças ao programa McDia Feliz, o principal evento comunitário da rede de fast-food MCDONALD’S no Brasil. Desde 1988, a rede McDonald’s reverte um dia de vendas do sanduíche Big Mac em dinheiro para o tratamento do câncer infantil. Em 19 anos, já foram arrecadados R$ 80 milhões. Esses recursos têm viabilizado a implantação de unidades de internação, ambulatórios, salas de quimioterapia, casas de apoio e unidades de transplante de medula óssea em todo o País. Uma estrutura que atende nove mil casos de câncer todos os anos. “Nós batemos recorde de vendas em 2007. A arrecadação foi de R$ 10 milhões”, relembra Francisco Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald no Brasil. Foram 1,43 milhão de sanduíches vendidos em um único dia.

Parte dessa verba, somada a outras ações beneficentes, como, por exemplo, campeonatos de golfe patrocinados por empresas, garante R$ 20 milhões contra a doença. Ao todo, a campanha envolve 34 mil funcionários, 31 mil voluntários e beneficia 62 instituições em 22 Estados. “Nossa meta é arrecadar R$ 11 milhões em 2008”, prevê Neves. É baseado nessas evoluções que o Instituto Ronald McDonald planeja investir na expansão de suas estruturas. A Casa Ronald, centro que abriga cerca de 30 crianças em tratamento de câncer, passará das três unidades atuais para sete unidades até 2012, um investimento de R$ 21 milhões.

Em 1994, o SESC São Paulo criou o programa Mesa Brasil. Por meio de uma rede de distribuição de alimentos, o projeto tem como objetivo diminuir o desperdício de comida e amparar a população carente na capital paulista e em mais seis cidades do Estado. “Nossa função é buscar o alimento onde sobra e entregar onde está faltando”, declara Danilo Miranda, diretor-regional do SESC de São Paulo. A entidade criou uma rede de distribuição de alimentos que reúne cerca de 650 empresas doadoras, como Wal-Mart, Vigor, Ceagesp, entre outras, conta com 215 voluntários e mais 20 funcionários contratados. Em 2007, o programa distribuiu mais de 4 toneladas de alimentos, que beneficiaram 540 instituições, um total de 94 mil pessoas necessitadas. “Nossa expectativa para 2008 é distribuir cerca de 7 toneladas de alimentos no Estado. O número de empresas doadoras está crescendo 30% ao ano”, destaca Miranda. Além da distribuição de comida, o SESC São Paulo também desenvolve uma série de atividades educativas junto às instituições. A entidade ministra palestras e cursos sobre higiene, conservação, preparo dos alimentos e variadas formas de se evitar o desperdício.