O senhor aí da foto ganha a vida vendendo vento. Felipe Pech é o principal executivo da Spirit, a atual campeã brasileira do segmento de ventiladores de teto. A trajetória da empresa é singular. Desde a fundação, em 2001, sua receita triplicou para os R$ 45 milhões. E o sucesso da Spirit está ligado a um engenhoso modelo de negócio. Em vez de gastar milhões num parque industrial, seus dirigentes optaram pela terceirização da produção, mantendo sob seu controle apenas as áreas vitais: criação, desenvolvimento e marketing. ?Somos a Nike dos ventiladores?, brinca Pech, citando a grife americana de calçados esportivos que foi a fonte de inspiração da Spirit. Com uma estrutura altamente enxuta (são apenas 45 funcionários, o que resulta na impressionante marca de R$ 1 milhão em faturamento por empregado), Pech diz que tem mais tempo para se concentrar no que interessa: buscar novas oportunidades de ganhar dinheiro. Entre os 25 projetos em estudo, dois estão prestes a sair do papel: circuladores-de-ar e ventiladores com pedestal. As vendas começam em agosto.

Este ano, os brasileiros deverão gastar R$ 300 milhões com a compra de ventiladores de teto. ?É um mercado que cresce 5% ao ano?, diz o diretor da Spirit. Para se diferenciar dos concorrentes, a companhia apostou na sofisticação. Seus produtos custam cerca de 50% mais caro que o dos competidores, variando entre R$ 189 e R$ 319. O designer, concebido pelo Estúdio Índio da Costa, é uma atração à parte. Além do estilo futurista, suas duas pás coloridas garantem, de acordo com Pech, a produção de 30% mais vento que os similares. ?Com isso, cavamos espaço nas lojas de iluminação e design, tornando a marca um objeto de desejo até mesmo paras as classes C e D?, destaca.

Esses atributos também funcionaram na hora de seduzir os consumidores de fora do Brasil. ?Já fechamos contratos de exportação com distribuidores dos Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Bélgica?, enumera o executivo. Na lista de clientes estão lojas de design e redes de departamento como El Corte Inglés (Espanha), Ikea (Suécia), Wal-Mart (EUA) e Metro (França). Esses acertos vão render R$ 8 milhões este ano ou 18% da receita. Pech, no entanto, aposta na continuação dos ventos favoráveis para levar a grife ainda mais longe: ?Nosso planejamento estratégico indica um faturamento de R$ 120 milhões em 2007, metade disso conseguido fora do Brasil?.

R$ 120 milhões são as vendas previstas para 2007. A
metade virá de exportações para lojas como Ikea e Wal-Mart