01/10/2008 - 7:00
PONTUALMENTE ÀS 21H30 DA QUINta- feira 25, as portas do luxuoso Terraço Daslu, em São Paulo, se abriram para recepcionar um seleto grupo de convidados. Simultaneamente, duas festas aconteceram em dois outros salões no Rio de Janeiro e em Brasília. O motivo do megaevento, com tanta pompa e circunstância, foi o lançamento do iPhone 3G pela operadora Claro. Em clima de superprodução, o famoso smartphone da Apple foi apresentado pela empresa a alguns assinantes e potenciais clientes, surpreendendo o mercado. Até então, apenas a data de estréia da Vivo era conhecida. Como já era esperado, uma hora antes e a alguns metros dali, a empresa comandou um jantar de apresentação do mesmo aparelho repleto de VIPs e famosos no shopping Iguatemi. À meia-noite, a empresa chegou a abrir algumas lojas e iniciou as vendas, numa tentativa de se posicionar na dianteira no lançamento mais esperado do ano.
Pode-se cravar um empate técnico numa corrida que resume o atual nível de concorrência da telefonia brasileira. A corrida, na verdade, teve início em agosto, quando foram abertas as negociações com a Apple, fabricante do iPhone. No primeiro round, a vitória foi da Claro, a primeira a anunciar um contrato para a distribuição do aparelho no Brasil. “A imagem da Claro está associada à inovação”, afirmou à DINHEIRO João Cox, presidente da empresa, que reassumiu em agosto a vice-liderança do mercado nacional. “Fomos nós que trouxemos o 3G para o Brasil e fomos os primeiros a fechar o contrato com a Apple. O iPhone segue essa mesma linha e muitas outras coisas virão por aí.” Semanas depois, a Vivo empatou o jogo. Para a atual líder entre as empresas de celular, ter o iPhone nas lojas é fundamental para consolidar sua posição. Em comunicados à DINHEIRO, TIM e Oi afirmam que seguem em negociações com a Apple para entrar na distribuição do iPhone.
No segundo round, o do lançamento, a Vivo parecia estar em vantagem. Já em meados de setembro surgiu no mercado a informação de que a operadora preparava o início das vendas do aparelho para a sexta, 26. A Claro, por sua vez, permaneceu em silêncio. “Já tínhamos previsto lançar nessa data”, garante Cox. “Só não anunciamos antes porque cumprimos contratos. E o contrato com a Apple reza que a comunicação só pode ser feita dois dias antes do lançamento”, explica. “Eles (Vivo) é que tiveram de correr atrás e tentaram fazer o mesmo”, acrescentou. Já a Vivo diz que tudo já estava no script. “Não houve quebra de contrato. O que aconteceu foi um vazamento de informação, nada que foi divulgado era oficial”, disse Carlos Cipriano, diretor da Vivo em São Paulo.
O terceiro round se dará nas lojas. O mesmo aparelho de 8GB que é vendido nos EUA por US$ 199 e em países da América Latina por cerca de R$ 500 pode custar até R$ R$ 1.999 no Brasil. Com o subsídio das operadoras brasileiras, o iPhone 3G deve sair por R$ 1 mil na Claro e R$ 899 na Vivo (os preços variam conforme os planos escolhidos pelo cliente). A operadora de Cox, no entanto, oferece um financiamento de até 24 vezes e um preço especial para clientes que optarem pelo aparelho não desbloqueado. “Não podemos dar subsídio a quem não quer ter uma relação de fidelidade com a empresa”, afirma Cox. Clientes que decidirem desbloquear o aparelho posteriormente, pagarão uma multa contratual. Inicialmente, 30 mil aparelhos foram colocados à disposição da Claro. Uma parte do lote será destinada às pessoas previamente cadastradas. O restante será distribuído às principais lojas da operadora pelo Brasil. “O atendimento será feito por ordem de chegada e informaremos a quantidade de aparelhos disponíveis para evitar espera desnecessária”, afirma Erik Fernandes, diretor de marketing da Claro. Em contrapartida, a Vivo afirma ter comprado 200 mil aparelhos, “o suficiente para atender todos os clientes já registrados”, como disse Cipriano. A partir de agora, o segredo deve ser a nova arma na guerra dos celulares.