15/01/2015 - 14:10
O ano de 2015 será um período de ajustes na economia, e o impacto dessas mudanças ainda é uma incógnita para os investidores. A influência das expectativas no comportamento do mercado, já bastante elevada, deverá ser ainda mais acentuada do que no passado. “A Bolsa começou o ano no limbo e os investidores ainda buscam um norte”, diz Raphael Figueiredo, analista da corretora paulista Clear. “O mercado vive um reflexo de 2014 e está começando a reagir aos sinais dados pelo governo”, diz Figueiredo. Ele fala sobre a queda de 3,9% da Bolsa na primeira semana do ano e explica o que o investidor espera do governo.
DINHEIRO – Como avaliar o desempenho da bolsa na primeira semana do ano?
Raphael Figueiredo – No geral, o mercado começou bem fragilizado, ainda sentindo os reflexos de 2014: noticiário ruim, perspectiva econômica negativa. Os investidores reagiram aos primeiros dados que saíram em 2015 como a atividade industrial de novembro, o boletim Focus que apontou inflação elevada e o déficit na balança comercial. Esses fatores somados estão ajudando a derrubar a Bolsa.
DINHEIRO – A Petrobras também tem influência nesse cenário?
Raphael Figueiredo – Bastante. Ela tem sido a grande responsável por travar uma perspectiva positiva para a economia brasileira. Não divulga balanço e, portanto, não pode captar recursos e pagar suas dívidas, que são muitas. Tudo isso coloca em xeque o sistema financeiro, e, na dúvida, os preços caem. Mas o mercado ainda espera uma luz no fim do túnel nos próximos dias, talvez uma boa notícia positiva que possa mudar tudo. Vejamos.
DINHEIRO – O que seria essa luz no fim do túnel?
Raphael Figueiredo – A bolsa vive um limbo e na prática, essa luz seria uma boa sinalização por parte do governo que as coisas devam mudar. Já seria um caminho já que o mercado, ainda mais esse ano, vai subir com expectativas e não com fatores concretos. Na última terça-feira, quando se reuniu com jornalistas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy deu alguns sinais e algumas medidas positivas, isso pode ser um bom início.
DINHEIRO – Como o mercado reagiu à fala dele?
Raphael Figueiredo – Foi positivo. Ele saiu de um tom de falta de transparência da gestão anterior, do tipo “as coisas vão bem” para um tom mais realista do tipo “vamos ajustar para melhorar”. Outra coisa importante que ele disse foi que o Brasil vai lutar para não perder o grau de investimento que tinha antes. O que falta agora é combinar as falas dele com ações efetivas do mercado como recuperação do superávit primário, corte de gastos e uma boa política de gestão.
DINHEIRO – Quais têm sido as surpresas neste início de ano?
Raphael Figueiredo – Os setores que na virada do ano e no início se destacaram positivamente foram os de Papel e Celulose e o de aviação, que inclui Gol e Embraer, as empresas de celulose estão se beneficiando com o dólar alto por causa de suas exportações e as aéreas com a queda do preço do petróleo. De destaque negativo temos as empresas educacionais que começaram o ano sob a notícia de mudanças no FIES. Mesmo com isso é um segmento que já está se recuperando e deve continuar entregando bons resultados em 2015.
DINHEIRO – O Brasil está caro ou barato?
Raphael Figueiredo – Caro. É um dos maiores custos de investimento entre os emergentes. A China, apesar de não estar subindo a todo vapor, ainda tem um PIB considerável. Outros países como a Índia, são importadoras de petróleo e que neste momento tem a preferência do investidor global. Além disso, o Brasil não está entre os preferidos dos emergentes, por isso, essa fuga de capital estrangeiro que estamos assistindo.
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