23/09/2002 - 7:00
Nova York quer mais. Com US$ 20 bilhões de ajuda federal em caixa, a cidade mais famosa dos Estados Unidos foi lançada ao centro de uma nova polêmica: é preciso dinheiro novo para que ela volte a ser o símbolo da pujança financeira e cultural americana? Os administradores da cidade estão debruçados em planos que apontam a necessidade de pelo menos mais US$ 10 bilhões para que Nova York resgate seu brilho. Oficialmente, tratam de não falar em cifras, mas admitem que um novo pacote de ajuda será bem-vindo. ?Depende?, disse à DINHEIRO o secretário de Finanças Daniel Doctoroff, principal assessor econômico do prefeito Michael Bloomberg, a respeito do quanto, afinal, a cidade requer. ?Estamos planejando tudo da forma mais cuidadosa e completa possível, mas ainda não sabemos quanto nossos planos irão custar.?
Doctoroff está otimista. ?Se for necessário, não tenho dúvidas de que o Congresso voltará a demonstrar apreço por Nova York?, afirma. Em Washington, porém, a conversa é outra. O que Nova York precisa, segundo um consenso que vai se formando entre políticos republicanos e democratas, é cortar gastos e aumentar impostos. Estima-se que, assim, a cidade consiga ao menos aliviar o déficit orçamentário previsto em US$ 2 bilhões para este ano.
Para fazer frente a essa barreira, adversários tradicionais no eleitorado nova-iorquino começam a se unir. ?É a favor de Nova York? Então estou nessa também!?, divertiu-se o ex-prefeito Rudolf Giuliani quando lembrado pela DINHEIRO de que os senadores democratas Charles Schumer e Hillary Clinton têm aumentado o tom de seus pronunciamentos a favor de mais recursos federais para a cidade. Giuliani ressalva que o ideal seria não recorrer ao Tesouro. ?Se tivesse de escolher entre dólares do setor público e do privado, ficaria com a segunda opção.?
O tamanho do rombo nas contas de Nova York pode ser medido no turismo, sua principal atividade econômica. Os hotéis operam atualmente com taxas de ocupação de 74%, contra 90% em 2000. A tarifa média baixou de US$ 240 para US$ 189. Os estrangeiros ainda estão ressabiados com a cidade depois dos ataques terroristas. ?Os americanos estão de volta, mas essas visitas são mais curtas e com menos gastos do que as que eram feitas por estrangeiros?, observa Crystine L. Nicholas, presidente da NYC & Company, o departamento oficial de turismo local.