A CRISE DO SUBPRIME NOS ESTADOS Unidos transformou em realidade, a partir de agosto passado, o que antes era apenas medo dos investidores. Diante do estouro da bolha imobiliária e da perspectiva de recessão na maior economia do planeta, os mercados foram abalados em vários países nos últimos meses, com reflexos nas bolsas, nos juros e no câmbio. O desempenho dos fundos de investimento no Brasil foi marcado pelo pessimismo internacional, de um lado, e pelo otimismo interno, de outro. Muitas carteiras que apostaram em ativos de risco, como as ações, sofreram desvalorizações e assustaram investidores incautos que buscavam um rendimento um pouco maior para compensar a queda dos juros da renda fixa. Nesse mar de incertezas, quais foram os gestores que se deram melhor? Eis a matéria-prima do Guia de Fundos de Investimento 2008 da revista DINHEIRO

Nas próximas páginas, conheça os fundos com melhor desempenho nos 12 meses encerrados em 31 de março. Eles foram selecionados pela Tag Investimentos dentre mais de sete mil fundos oferecidos por bancos, corretoras e gestoras independentes. No primeiro trimestre, esses fundos abrigavam recursos da ordem de R$ 1 trilhão. Para apontar os melhores em cada uma das cinco categorias escolhidas ? renda fixa, DI, multimercados, ações e arbitragem de ações (long & short) ?, a Tag mediu o desempenho das carteiras pelo índice de Sharpe. Ou seja: além da variação da cota, considerou também a volatilidade para montar os rankings. ?Consideramos o retorno e o risco de cada fundo em sua categoria?, diz Marcelo Pereira, sócio da Tag.

MAIS DE 7.000 FUNDOS FORAM ANALISADOS CONFORME O RETORNO E A VOLATILIDADE

Foram eliminados da amostra os fundos fechados, os exclusivos, os espelhos (que replicam outras carteiras) e os de previdência. Também ficaram de fora os fundos com histórico inferior a 12 meses. DINHEIRO dividiu cada categoria conforme a aplicação mínima exigida: até R$ 10 mil, de R$ 10 mil a R$ 50 mil e acima de R$ 50 mil. Normalmente, quanto maior o valor investido, menor é a taxa de administração do fundo.

A partir da próxima página, você saberá a opinião dos especialistas e dos melhores gestores sobre as perspectivas de investimento nos próximos meses. O cenário básico mudou: os juros voltaram a subir, o dólar continuou a cair e as ações estão mais voláteis do que nunca. ?O momento exige muita cautela do investidor. O melhor a fazer no curto prazo é ser conservador e buscar abrigo nos fundos DI?, recomenda Alfredo Setubal, presidente da Associação Nacional dos Fundos de Investimento (Anbid) e vice-presidente do Itaú. Confira na página 87 o otimismo de Chantal Laurent, da Union Française de Géstion ? Investment Management, com o Brasil. Este guia não deve ser interpretado como orientação de investimento em fundos específicos, mas como o passo inicial para a busca da aplicação que mais se enquadra em seu perfil de risco. Use as tabelas para fazer comparações e exigir melhor desempenho de quem faz a gestão do seu dinheiro. Antes de investir, verifique se as políticas de aplicação do fundos são compatíveis com a sua tolerância individual às possíveis perdas de cada classe de ativos. Buscar o equilíbrio entre o medo do risco e o apetite pelo ganho é o maior desafio de todo investidor. A travessia para a estabilidade econômica é longa e cheia de percalços. Boa caminhada!