05/01/2011 - 10:10
Os adversários republicanos de Barack Obama tomaram posse nesta quarta-feira na Câmara dos Representantes, determinados a não deixar passar várias reformas propostas pelo presidente e de olho na Casa Branca em 2012.
Os republicanos querem, de saída, uma economia de 100 bilhões de dólares no orçamento 2011-2012.
A nova legislatura começou às 12H00 locais (15H00, horário de Brasília), com a cerimônia de juramento no cargo na nova Câmara, seguido pela eleição, sem suspense, de John Boehner à presidência da Casa. Ele sucede à democrata Nancy Pelosi, que ocupou o cargo desde 2007.
Boehner, deputado eleito por Ohio (norte), pronunciou em seguida o discurso que deu tom da nova maioria que arrebatou 63 novos assentos nas eleições legislativas do dia 2 de novembro.
Boehner falou, por exemplo, de um governo “sensível às necessidades” dos eleitores, unindo-se à ala direita e aos eleitos do movimento conservador “Tea Party” que ingressaram nesta quarta-feira na Câmara.
Os republicanos da Câmara, que se dizem fiéis a suas promessas de campanha, prometem cortar gastos públicos e lutar contra as regulamentações estatais “destruidoras de empregos”.
Querem, sobretudo, obter a revogação da principal reforma do presidente Obama sobre o sistema de saúde. Uma votação sobre este texto está prevista para a próxima quarta-feira.
Mas o voto será meramente simbólico, já que uma revogação na Câmara da lei adotada em março de 2010 não passará pela oposição no Senado, onde os democratas mantiveram a maioria, e pelo veto do presidente Obama.
O republicano Eric Cantor, que assumiu as funções de líder da maioria na Câmara, garantiu à imprensa que seu partido vai propor a cada semana um projeto de lei de redução de despesas, incluindo até o Pentágono.
Também nesta quarta-feira, no Senado, prestaram juramento 35 senadores, entre eles cinco novos republicanos que vêm ocupar assentos tomados dos democratas no pleito de 2 de novembro. A maioria do partido de Barack Obama no Senado passa, então, a 53 cadeiras, num total de 100.
Os republicanos da comissão de Vigilância e de Reforma do Estado previram várias audiências destinadas a examinar atos do governo federal sobre assuntos como WikiLeaks, corrupção no Afeganistão, segurança alimentar e ainda regulamentação estatal.
Por sua vez, o presidente Obama pediu os republicanos na terça-feira, esperarem o ano que vem “para fazer campanha” para as eleições presidenciais e legislativas de novembro de 2012.
Os democratas da Câmara disseram estar prontos para defender com unhas e dentes a reforma da saúde, fruto de longas negociações para oferecer uma cobertura a pelo menos 32 milhões de americanos que são desprovidos de seguro e incluir cerca de 95% das pessoas com menos de 65 anos.
Mas, paralelamente, à defesa das conquistas do Congresso anterior, os democratas garantiram estar prontos a cooperar com a nova maioria. “Nós nos comprometemos a trabalhar juntos com os colegas republicanos para responder às dificuldades das famílias americanas”, disse na terça-feira Nancy Pelosi que assume, a partir de hoje, o papel de líder da minoria na Câmara.
Na Casa Branca, um remanejamento de parte da equipe ligada ao presidente acompanhará a chegada da nova era política em Washington.
O Washington Post informou que o presidente pode nomear o antigo secretário de Comércio de Bill Clinton, William Daley, como secretário-geral da Casa Branca. Além disso, o porta-voz Robert Gibbs anunciou nesta quarta-feira sua partida, para se dedicar à preparação da reeleição de Obama.
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