Desde que o presidente Lula entrou firme na campanha pela reeleição, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, trabalha como um mouro. Por ossos do ofício, ou por sua personalidade, ela passou a ocupar o vazio deixado pelo presidente-candidato desde o início de julho. Com uma diferença: Dilma é mais rígida, metódica e técnica. Ela chega ao gabinete, no 4º andar do Palácio do Planalto, por volta das 8h e nunca sai antes das 23h. Acompanha todas os atos oficiais, decide os vetos presidenciais e os projetos prioritários. Não há nada no governo que chegue à Presidência antes de receber o aval da Casa Civil. ?Tudo passa por aqui. Se houver um problema, este é o endereço certo?, diz a mulher mais poderosa do País. Dilma já era influente quando estava à frente do Ministério de Minas e Energia, mas, após as quedas de José Dirceu e Antônio Palocci, não sobrou ninguém entre ela e Lula. Agora, a ministra vai tocando o governo, enquanto o presidente corre atrás de votos. Cobra resultados de outras pastas, passa pito em Desde que o presidente Lula entrou firme na campanha pela reeleição, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, trabalha como um mouro. Por ossos do ofício, ou por sua personalidade, ela passou a ocupar o vazio deixado pelo presidente-candidato desde o início de julho. Com uma diferença: Dilma é mais rígida, metódica e técnica. Ela chega ao gabinete, no 4º andar do Palácio do Planalto, por volta das 8h e nunca sai antes das 23h. Acompanha todas os atos oficiais, decide os vetos presidenciais e os projetos prioritários. Não há nada no governo que chegue à Presidência antes de receber o aval da Casa Civil. ?Tudo passa por aqui. Se houver um problema, este é o endereço certo?, diz a mulher mais poderosa do País. Dilma já era influente quando estava à frente do Ministério de Minas e Energia, mas, após as quedas de José Dirceu e Antônio Palocci, não sobrou ninguém entre ela e Lula. Agora, a ministra vai tocando o governo, enquanto o presidente corre atrás de votos. Cobra resultados de outras pastas, passa pito em ministros, reclama, discute e é tão inflexível com os colegas de Ministério que está sendo comparada a Dunga, o novo técnico da seleção brasileira. ?Ela joga duro e bate na canela de todo mundo?, diz o assessor de um ministro.

 

Apesar da agenda superlotada, Dilma ainda encontra tempo para tratar de assuntos do setor elétrico, a sua obsessão. Na sexta-feira 4, recebeu o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, e o vice-presidente da Cogen, Carlos Alberto Silvestrin. Estava aborrecida com as notícias de que poderia haver racionamento de energia em 2009/2010. ?Isso é coisa de quem quer aumentar o preço?, desabafou. Direta e objetiva, deu início à reunião: ?Qual o cenário atual e futuro da biomassa?? Ouviu que hoje a indústria canavieira processa 400 milhões de toneladas por ano, em 347 usinas, e que, em 2020, subirá para um bilhão de toneladas em 550 usinas, mas que a infra-estrutura continua sendo o grande gargalo na expansão do setor. Discutiu sobre a bioeletricidade e o etanol. Satisfeita, Dilma distribuiu tarefas e nem o representante da iniciativa privada escapou. A ministra encarregou Silvestrin de atrair investidores. Autoritária, Dilma? Ela mesmo responde: ?Descobri que na mulher a posição de mando é vista como autoritarismo. No homem, como gentileza, suavidade, meiguice.?

A ministra trata diariamente de uma infinidade de assuntos, lê montanhas de documentos importantes ? que depois são encaminhados à Presidência ? e recebe presidentes de estatais, empresas privadas, políticos, ministros brasileiros e de fora. Até os companheiros de militância encontram dificuldades para marcar uma audiência. Um exemplo é o prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Ele só conseguiu falar com Dilma na segunda-feira 7, às 19h30. Pimentel preferia uma sexta-feira, para não se ausentar do Estado no início da semana. Não houve jeito. Ele desembarcou em Brasília minutos antes da audiência para pedir uma atenção especial ao programa Saneamento para Todos na elaboração do Orçamento de 2007. Dias antes, a diretoria da Mitsubishi Japonesa esteve em seu gabinete para saber dos planos do governo para os portos brasileiros. ?Eles estão interessados em investir alguns milhões de dólares?, adianta um assessor da ministra. ?Só falta um programa oficial para a modernização dos portos e o grande do setor é a gestão.? Dilma pediu estudos sobre o assunto. No momento, a ministra está empenhada em seis grandes temas: a execução das Parcerias Público-Privadas, o setor elétrico, a debilitada infra-estrutura (ferrovias e malhas rodoviárias), o biodiesel, o alcoolduto (para o escoamento do etanol no Centro-Sul do País) e a siderurgia. Atolada no trabalho, Dilma há dois meses não participa da reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), na qual era presença certa. Quando não comparece a eventos, ela envia sua secretária-executiva, Erenice Guerra. E hoje tem sido mais fácil ver Erenice nas solenidades do que a ministra da Casa Civil.