28/09/2005 - 7:00
O rentável filão da automação de casas e apartamentos no Brasil despertou a atenção das grifes internacionais de tecnologia. A japonesa Mitsubishi, a finlandesa Nokia, a americana Freescale Semicondutores e a brasileira Compera se uniram em torno de um projeto comum: um produto capaz de gerenciar eletrodomésticos, alarmes e até o fechamento de portas nas residências brasileiras. Lançada na semana passada, a iniciativa quer atingir o público consumidor que reside nos 7 milhões de domicílios das classes A/B, nas quais estão concentrados os compradores de alta renda. Por uma única parcela de R$ 15 mil qualquer pessoa poderá usar o seu celular em qualquer lugar do mundo para resfriar a temperatura do quarto, ligar e desligar luzes e acionar o alarme tudo com poucos toques no teclado. “Transformamos o celular em um controle remoto sofisticado”, resume Luiz Tadashi Akuta, executivo da Mitsubishi no Brasil.
A tecnologia desenhada pelas quatro marcas opera de maneira simples. Pontos receptores são instalados nos cômodos da casa e um aparelho central com uma linha de celular acoplada faz todo o monitoramento dessa rede. Quando precisa fazer uma operação, o dono da residência pode mandar um comando através de uma mensagem de texto para o gerenciador da rede que se encarrega de toda a operação pagando apenas alguns centavos à sua operadora de telefonia. Essa parte do negócio é de responsabilidade da Mitsubishi. Toda a comunicação acontece através de uma rede totalmente sem fio batizada de Zigbee e fornecida pela Freescale Semicondutores. “Essa é uma tecnologia de baixo consumo e alta eficiência”, afirma Antonio Calmon, diretor da Freescale no Brasil. “Além disso, não há necessidade de quebrar paredes para instalar o produto.” Outro recurso é a possibilidade do dono da casa fazer a checagem de todos os equipamentos que estiverem conectados à rede, além de programar o acionamento de aparelhos quando não houver ninguém no local. ?É um recurso para afastar assaltantes?, diz Maurício Magalhães, diretor da Compera.
No pacote já está incluído o celular Nokia com menu de ícones direcionados para a automação desenvolvidos pela Compera. “Até agora ninguém tinha introduzido o celular nessa operação de automação residencial “, explica Gustavo Lang, da Nokia. ?Esse é o nosso diferencial.? Mesmo sendo um produto de alto custo, os envolvidos acreditam que existe um bom mercado. Só em operação no País há 75 milhões de aparelhos móveis. Apenas em São Paulo são construídas cerca de 25 mil novas casas e apartamentos a cada ano. As quatro empresas querem conquistar 20% desse contingente. O resto do mercado deve ficar com pequenas e médias empresas que já fazem suas apostas nesse mercado. Em São Paulo alguns empreendimentos imobiliários já estão sendo construídos com produtos semelhantes. Não é raro, por exemplo, encontrar prédios residenciais com dispositivos que permitem luxos como preparar um banho de banheira antes de chegar em casa. Tudo feito pela internet. “O mercado é muito competitivo. Temos que oferecer um diferencial a cada prédio”, diz Mário Rocha Neto, diretor de operações da construtora Gafisa. Os custos para oferecer um
apartamento com automação tradicional, como acesso à internet em banda larga, é de 2% sobre o valor da obra e os imóveis chegam ao mercado com um valor de venda superior a R$ 1,5 milhão.