Ela reconhece que o meio é machista. A primeira mulher a comandar o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socio-Econômicos (Dieese), porém, nunca se intimidou. ?Tenho de ter firmeza, bato na mesa como os companheiros fazem?, diz a metalúrgica Mônica Monteiro, de 33 anos. Acostumada às calorosas assembléias do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, onde é diretora-geral, assume em momento de crise nacional uma instituição de 46 anos, que já teve 22 presidentes, e não deixa de demonstrar sua desconfiança. ?As empresas podem estar usando a crise de energia como argumento para ações que já estavam pensando em fazer?, disse Mônica, após a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) acenar, na terça-feira 3, com desemprego em 63% das empresas.

A sucessão no Dieese depende de um rodízio entre a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), válido por um ano. Mônica foi indicada pela Força. Ela considera o fato uma vitória do gênero, por causa do preconceito contra as mulheres ? 45% da força de trabalho brasileira ? em cargos de direção. ?Ainda existem muitas barreiras para as mulheres quebrarem?, afirma. Mônica reconhece que só chegou lá por adotar um estilo distante dos estereótipos femininos. Prefere classificar-se de ?séria? a ?brava?. Casada, com um filho de 15 anos, já se acostumou, porém, com as ?piadinhas? entre metalúrgicos, que afirma disfarçar com jogo de cintura. Em sua bolsa está o último livro lido, O Mundo de Sofia. Ela diz que adora ler tudo, particularmente História.

O Dieese debruça-se a partir de agora, segundo Mônica, nos
dados sobre a crise de energia. Mas esses estudos são demorados. ?Só vamos ter quando a crise passar?, calcula, em um ato falho
de otimismo. Além de demissões, a dirigente preocupa-se com dificuldades dos sindicatos nas negociações salariais. Algumas categorias importantes, como metalúrgicos e bancários, têm
data-base no segundo semestre. Os planos imediatos de Mônica para o departamento são a elaboração do plano plurianual, a continuidade do programa de capacitação de sindicalistas e a campanha de filiação. Ela acha que, com jeitinho feminino, pode conquistar mais sindicatos.