O empresário Luiz Eduardo Batalha, de 60 anos, cultiva desde a tenra idade a arte da paciência. Aos seis anos, ele seguiu para a Europa com o pai. O meio de transporte escolhido foi o navio. Uma opção um tanto incomum mesmo na década de 50, quando aviões já cruzavam o Atlântico. As longas jornadas ao mar (que duravam até
20 dias), serviram para lhe mostrar que, mais do que
uma virtude, a paciência poderia ser uma arma eficaz no mundo dos negócios. Um bom exemplo disso é o contrato recém-assinado com o Burger King. O acordo prevê a entrada de Batalha, um dos maiores criadores de gado angus do Brasil, na carteira de fornecedores mundiais de hambúrguer para a rede de fast-food. Entre o primeiro contato feito por Batalha e o sinal verde dos americanos se passaram 13 anos. ?Já conversamos com diversas filiais?, conta Batalha. ?Como cada unidade consome quatro toneladas de carne por mês, o potencial é enorme?.

Foi de tanto bater à porta da Burger King que o paciente Batalha acabou tendo uma chance de fechar um contrato com os americanos. O acordo foi melhor do que ele esperava. Para ser o fornecedor de carnes no Brasil, ele teria, primeiro, que esperar a chegada do Burger King ao País. Por que não transformá-lo no masterfranqueado da rede? Surgia aí a oportunidade para mostrar que sua carne era de primeira linha. Um bom trabalho no Brasil ? imaginava o empresário ? abriria as portas para o mundo. E assim foi feito. Em pouco mais de um ano, a rede somou 11 lojas e o empresário provou aos americanos que poderia se tornar fornecedor mundial. ?Turquia, Marrocos e Egito são a primeira escala de um vôo que inclui Europa e EUA?, diz Batalha. Nessa ?viagem?, levará de carona o frigorífico Bertin, parceiro no processamento e produção de hambúrgueres.

O pé no varejo e os contatos globais animaram Batalha a pôr em prática o velho sonho de processar, ele mesmo, a carne que produz. O embrião desse projeto está em marcha em Pinheiro Machado (RS), cidade na qual tem criações de gado e cordeiro. Hoje, Batalha já abate 500 ovinos por semana. São animais próprios e também comprados de criadores locais. ?É uma carne nobre que agrada a paladares exigentes?, explica. O acordo prevê o pagamento por animal, além da participação nos lucros aos fornecedores cadastrados. ?Criamos um sistema mais justo de remuneração. Diferente da política dos frigoríficos?, completa. Batalha sabe bem como é a queda-de-braço com os frigoríficos. Mesmo um grande pecuarista, como ele, não conseguia convencer os ?parceiros? a pagarem preços melhores pela criação. O fator Burger King ajudou, de certa forma, a melhorar essa relação. Afinal, é um grande negócio ser aliado do fornecedor mundial da rede. E por falar em fast-food, será que vem por aí o hambúrguer de cordeiro? ?Pode ser uma solução para viabilizar a entrada do Burger King na Índia, onde a vaca é um animal sagrado?, destaca Batalha.

Além da pecuária e do fast food, o empresário investe no setor de turismo e no segmento imobiliário (leia quadro). Tudo sob o guarda-chuva da holding Chalet. Sua mais nova cartada é um terreno de 646 mil m² em Boituva (SP) que ele está transformando em resort de luxo, batizado de Solaris. No total, vai desembolsar R$ 20 milhões no negócio.

Outros negócios de Batalha

Pecuária:
4 fazendas (cerca de 30 mil cabeças de gado nelore e angus e carneiro)

Construção:
Prédios comerciais, casas, hotéis, condomínio e resort

Fastfood:
8 restaurantes Burger King em São Paulo