26/07/2000 - 7:00
Os irmãos Frering, Mário e Guilherme, herdeiros de Augusto Trajano de Azevedo Antunes, fundador da Caemi, andam inquietos nos últimos tempos. Recentemente, foram procurados por executivos da North Limited, a gigante australiana da área de mineração, interessada em entrar no mercado brasileiro. A britânica Billiton e até a poderosa Companhia Vale do Rio Doce teriam feito seus lances. A Caemi é avaliada em R$ 850 milhões e o pedaço dos irmãos Frering, detentores de 20% do capital total, pode chegar a R$ 170 milhões, sem considerar o ágio relativo à transmissão do controle, prêmio tradicional nestas operações. Os jovens controladores da Caemi, o quarto maior grupo exportador de minério do mundo, com vendas que chegam a R$ 1,2 bilhão por ano e reservas de 1,4 bilhão de toneladas, buscam, em silêncio, fazer a melhor jogada. Procurados pela DINHEIRO, eles preferiram não se manifestar sobre o assunto.
Este é um dos mais importantes capítulos da corrida internacional que está sendo travada por aqui. Desde que a economia mundial deu mostras de aquecimento consistente, a produção de minério de ferro do Brasil transformou-se em um tesouro. O País tem posição privilegiada neste mercado por ser dono do produto de melhor qualidade. O teor médio de ferro apresentado nas minas nacionais é de 65%, contra, por exemplo, o índice de 56% na Austrália. A maior empresa do setor, com produção de 125 milhões de toneladas anuais, é brasileira. A Vale do Rio Doce conquistou este título ao adquirir recentemente as concorrentes Samitri, Samarco e Socoimex. De toda a movimentação mundial de minério de ferro, 30% são do Brasil.
Enquanto tenta ampliar seus domínios, a Vale sofre o assédio de grupos internacionais. As peças neste jogo bilionário mudam a cada instante. O megainvestidor George Soros acaba de vender sua participação de 3% na companhia ao Bank of America, que, por sua vez, procura compradores para esta fatia. A própria Billiton e a norte-americana Anglo America já teriam demonstrado interesse neste negócio, de acordo com analistas de mercado. Além disso, a North estaria de olho na Ferteco, mineradora brasileira dona de produção anual de 20 milhões de toneladas, controlada pelo grupo alemão Tyssen Krupp. ?O reaquecimento econômico mundial está definindo toda essa movimentação?, afirma Luciana Massaad, analista da corretora Fator Doria Atherino. ?A necessidade de investimentos e o contexto internacional de grandes fusões levam os controladores a buscar sócios fortes?, diz Carlos Antônio Magalhães, consultor da Sirotsky & Associados.