28/01/2003 - 8:00
Jeffrey Sachs é uma estrela do capitalismo global. No início dos anos 90, com pouco mais de 30 anos, ele concebeu os planos de estabilização que ajudaram a eliminar a inflação em países tão distintos quanto a Bolívia e a Polônia. Em seguida, assessorou governos como da Argentina, da Eslovênia e da Mongólia. Associado ao Fórum Econômico Mundial, elaborou um ranking global de competitividade. Mas depois de rodar o mundo como um globe-trotter da ortodoxia econômica, Sachs decidiu abraçar causas sociais. À frente do Instituto da Terra, da Universidade de Columbia, o economista se dedica a temas como pobreza, fome, educação e desigualdade social. Embora sua agenda de prioridades tenha mudado, ele continua com o pé na estrada. Acaba de voltar de um tour pelo Sul da Ásia, Índia, Bangladesh e Sri Lanka. ?A situação é dramática?, diz Sachs. ?Milhões de pessoas estão morrendo desnecessariamente porque não recebem ajuda humanitária e isso, para mim, é a maior vergonha do planeta?, diz o economista e ex-professor de Harvard, que nos próximos meses deve seguir para a África.
Muitos dos dados e impressões que Sachs recolhe ao redor do mundo são repassados ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, de quem é conselheiro. Na ONU, o economista também participa do projeto Millenium, que pretende reduzir a pobreza mundial pela metade até 2015. Envolvido em tantos projetos sociais, é natural que Sachs volte suas críticas aos países mais desenvolvidos. ?É inacreditável o quão pouco os países ricos estão fazendo para ajudar os mais pobres.? De acordo com dados levantados pela equipe de Sachs, se o grupo de nações mais prósperas reservasse dez centavos de cada US$ 100,00 que produzem, seria possível destinar US$ 25 bilhões aos países pobres. Isso salvaria a vida 8 milhões de pessoas por ano.
Atento observador da economia brasileira, Sachs não poupa elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Ele está no caminho certo?, diz. ?Acho que Lula será capaz de implementar uma agenda inovadora tanto econômica quanto social.? Para ele, é emblemático o fato de Lula ter escolhido o combate à fome como prioridade de seu primeiro ano de governo ? já que ?é um presidente que conheceu a fome pessoalmente?. Mas nem por isso, o programa Fome Zero fica livre de algumas críticas. ?Programas muito direcionados, como distribuição de alimentos e cestas básicas, ajudam a combater apenas a fome crônica. Parte da solução definitiva passa por melhorias na agricultura, na educação e no aumento das oportunidades de trabalho em áreas pobres?, diz. Palavras do novo guru do social, que, no dia em que retornou ao seu escritório em Nova York, falou à DINHEIRO.
DINHEIRO ? O que significa a presença de Lula em Davos? Foi Lula quem mudou ou foi o Fórum? O que a platéia de Davos espera ouvir de Lula? Durante a campanha, os mercados estavam pessimistas. Hoje estão em lua-de-mel. Por quê? O programa Fome Zero é a prioridade de Lula. Qual é a melhor maneira de erradicar a fome? Como o sr. compara o Brasil com a África? O tema de Davos este ano é ?restaurar a confiança?. É possível? Aparentemente, questões sociais estão ganhando espaço na agenda do Fórum… |