Fabrizia Granatieri/ag. istoé

a noite de 2 de julho de 2008, o pediatra Celso Barros, presidente da Unimed-RJ, saiu de casa vestindo a camisa de listras verde, vermelha e branca do Fluminense. Seguiu para o estádio do Maracanã com a expectativa de assistir a seu time do coração atingir o maior feito de sua história: levantar a taça de Campeão do Torneio Libertadores da América. A derrota para a inexpressiva equipe da LDU funcionou como um balde de água fria. “Fiquei triste como os demais torcedores, mas nada digno de um tango argentino. Afinal, perdemos nos pênaltis”, minimiza o executivo-torcedor Barros, mentor da parceria com o tricolor das Laranjeiras. O azar no jogo, felizmente para ele, vem sendo compensado no campo empresarial. Ao longo da sua gestão, a cooperativa atingiu marcas impressionantes. Saiu da posição de “reserva” para a liderança do setor no Rio de Janeiro.

Alexandre Cassiano/ag. globo

Momento De Decepção: jogadores do Fluminense após a derrota na Libertadores da América

Também assumiu a “ponta da tabela” no Sistema Unimed Brasil e deve fechar este ano com receitas de R$ 2 bilhões – um salto de 617% em relação a 1998, ano em que Barros tomou posse. A companhia ainda melhorou seu equilíbrio financeiro, saindo de um prejuízo de R$ 2,1 milhões para um lucro de R$ 26,1 milhões no período. Segundo o dirigente, “a tabelinha” com o Fluminense teve uma influência positiva neste resultado. “De cada real investido no patrocínio ao Fluminense, em 2008, tivemos um retorno de R$ 50 em mídia espontânea”, conta.

A questão que se coloca é a seguinte: será que a parceria foi boa também para o Fluminense? A contar pelos títulos conquistados a resposta é um rotundo não. O clube atravessa uma situação bastante difícil. Desde 2008 luta para não cair para a série B do campeonato brasileiro. Na disputa estadual é um vexame atrás do outro. Não levanta a taça desde 2005. Isso em um torneio totalmente esvaziado. Os maus resultados são creditados à falta de planejamento. Exemplo: em 2006, o clube trocou seis vezes de técnico. A constante ingerência de Barros também já é vista como um problema por alguns dirigentes e parte da torcida. Mesmo com a Unimed- RJ tendo colocado cerca de R$ 100 milhões no clube. Os últimos episódios foram a demissão de Renné Simões, porque ele não teria aceito sugestões de Barros para escalar o time. A volta do técnico Renato Gaúcho também foi criticada. A diretoria queria Muricy Ramalho. “A parceria ideal é aquela em que o papel de cada uma das partes fica bem definido. O melhor exemplo disso ocorreu entre o Palmeiras e a Parmalat”, argumenta o consultor José Carlos Brunoro, da Brunoro Sports. Pelo lado financeiro, a situação do Fluminense também não é das melhores (ver quadro).

O presidente da Unimed-RJ minimiza sua participação no dia a dia do time. Diz que, ao contrário do que falam alguns torcedores, ele não possui uma sala no clube nem escala o time. “Temos um relacionamento pautado pelo profissionalismo”, diz Barros. Ele, no entanto, já coloca em dúvida a continuidade da parceria. “Ainda não há nada decidido neste sentido”, desconversa o “cartola” Barros. Já o executivo Barros não tem do que se queixar. Para 2010 está prevista a entrada em operação de um moderno hospital com a bandeira Unimed, na Barra da Tijuca. A obra consumiu R$ 150 milhões e terá como função reduzir o pagamento a hospitais conveniados, já que no local serão feitas cirurgias de alta complexidade nas áreas cardiovascular e ortopédica.