24/10/2007 - 8:00
O BRASIL, FINALMENTE, despertou. A economia nacional deverá crescer cerca de 5% em 2007 e, ao que tudo indica, essa poderá ser a média dos próximosanos, caso sejam feitos todos os investimentos necessários em áreas cruciais como infra-estrutura e energia. Nesse novo ciclo de desenvolvimento, que poderá ser o primeiro sem inflação em mais de 30 anos, há uma elite corporativa no comando. São as 500 maiores empresas do País, que fazem parte do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO, o mais abrangente ranking empresarial do País, elaborado com informações fornecidas pelas próprias companhias. Apenas no ano passado, as empresas presentes nesse universo cresceram 12%. Suas receitas saltaram de R$ 1,16 trilhão para R$ 1,3 trilhão. ?Tenho conversado com empresários e investidores do mundo inteiro e este é o melhor momento da economia brasileira nas últimas décadas?, aponta o consultor Antoninho Marmo Trevisan. Foi o Grupo Trevisan, dirigido por ele, que coordenou a realização da pesquisa. Neste ano, uma das novidades foi a inclusão de questões ligadas à governança corporativa, no momento em que o mercado de capitais se transforma no maior motor de financiamento das empresas brasileiras.Nos primeiros nove meses de 2007, as ofertas iniciais de ações, os chamados IPOs, já movimentaram mais de R$ 40 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. Até o fim do ano, é possível que o número chegue a R$ 60 bilhões. Tamanho dinamismo é reflexo da melhoria dos lucros das empresas. De acordo com a Economática, que compilou as informações de 299 companhias de capital aberto presentes no ranking de AS MELHORES DA DINHEIRO, os lucros dessas empresas passaram de R$ 91 bilhões, em 2005, para R$ 98 bilhões, no ano passado. Além disso, neste ano, os resultados anualizados até setembro já somam R$ 110 bilhões. Outro fator que atrai os investidores é a perspectiva de que o Brasil venha a ser considerado um país investment grade pelas agências de classificação de risco, o que, na prática, significa um porto seguro. ?Os preços das ações no Brasil hoje já refletem esse cenário?, diz Fernando Exel, presidente da consultoria Economática.
Num ambiente de aceleração do crescimento, é natural que as 500 maiores empresas estejam também retomando seus investimentos de maneira significativa. Por isso, a escolha da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, como a melhor empresa do ano é também um dado significativo. A empresa, que investiu R$ 5 bilhões nos últimos cinco anos, está ampliando sua produção de 475 mil para615 mil toneladas de alumínio por ano. Com isso, a CBA, empresa de Antônio Ermírio de Moraes, poderá manter sua média histórica de expansão da produção de 9,6% ao ano. Outra tendência relevante é o aumento do grau de internacionalização da economia brasileira. ?Hoje, todas as grandes empresas brasileiras têm estratégias para o mercado interno e para o Exterior, que passam não apenas pela exportação, como também pela realização de investimentos ou aquisições lá fora?, diz Trevisan. Os bons ventos empresariais também têm sido favorecidos por uma gestão macroeconômica responsável, com destaque para a atuação do Banco Central. Depois de praticamente zerar a dívida cambial, a equipe de Henrique Meirelles colocou a inflação abaixo da meta de 4,5% e o Brasil ainda poderá fechar este ano com cerca de US$ 170 bilhões em reservas externas. As reduções da taxa Selic também abriram uma folga fiscal de R$ 30 bilhões no orçamento deste ano. Com isso, a tendência é que a dívida interna continue em rota cadente, podendo chegar a menos de 40% do PIB em 2010. Diante desse cenário, o governo teria condições até de reduzir a carga tributária, o que favoreceria ainda mais os resultados de todas as empresas brasileiras e permitiria um crescimento ainda mais vigoroso.