11/09/2002 - 7:00
O sucesso chama atenção. No caso da fabricante de computadores Metron o faturamento anual de US$ 150 milhões é o responsável pelo interesse que a empresa está despertando nos últimos tempos. Seus concorrentes e alguns analistas ainda tentam decifrar o mistério em torno da empresa paulistana que há 18 anos fabricava taxímetros e hoje é a líder de vendas de PCs no mercado brasileiro, à frente de marcas conhecidas como Dell, HP e Itautec. O que ninguém nunca entendeu é como a companhia consegue ter preços, em média, 20% menores que os seus concorrentes, que compra em escala global e controla 70% de todas as vendas de computadores no setor de varejo no País. ?Não existe milagre?, diz Wanda Scartezini, secretária de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia. ?Eles trabalham com um produto menos sofisticado.
É um mercado intermediário entre os fabricantes informais e as grandes marcas?, diz.
É uma explicação que nunca convenceu a concorrência, que veladamente sempre insinuou ? mas nunca provou ? que a Metron adota práticas heterodoxas na sua estratégia comercial. Em busca de respostas definitivas, a secretária e outros três técnicos do Ministério estiveram, no início de agosto, na fábrica da Metron, em São Paulo. Conversaram com os diretores, analisaram documentos, entrevistaram fornecedores e saíram com a impressão que nada está errado. ?A Metron está na legalidade?, diz Wanda Scartezini. O carimbo do MCT permite concluir que a situação perante o Fisco está regular. Mesmo com dívidas com INSS e a Receita, que estão sendo pagas, a Metron pode participar de licitações e outras negociações governamentais, como acontece com outras empresas. ?Os preços dos concorrentes são maiores porque são companhias burocráticas?, diz Leone Piccioto, presidente da empresa.
Estratégia. A Metron pensa em crescer ainda mais. Na mesa de Piccioto há uma proposta de um concorrente, a baiana Microtec, que gostaria se associar ou até mesmo ser comprada pela Metron, Outra opção seria adquirir uma consultoria para expandir o negócio na área de serviços. A Metron tem qualidades que explicam o seu sucesso. Produzindo PCs desde 1992, a empresa soube aproveitar como nenhuma outra o alcance nacional das grandes redes de varejo. Para auxiliar na venda, há um exército de 300 promotores que orientam o cliente na hora de escolher o computador. O preço baixo ajuda. ?Nossos custos são baixos?, diz Cássio Fernandes, diretor de marketing da empresa. ?Enquanto pagamos R$ 25 mil de aluguel da nossa fábrica de 5 mil metros quadrados, os concorrentes gastam o mesmo valor por um escritório?, afirma.
Desde que tomou a liderança da antiga Compaq em meados do ano passado, a Metron manteve-se no topo da lista por dois semestres consecutivos, de acordo com o instituto de pesquisas IDC. Além disso, inaugurou uma campanha na TV Globo e no SBT e está inundando o mercado com diversos lançamentos, como o computador de mão Piccolo e o terminal de auto-atendimento ATM-Metron. Atualmente, é com folga a maior compradora de chips da Intel e dos programas da Microsoft no Brasil. Ainda é uma das maiores fornecedoras das principais redes de varejo no Brasil. ?Nós não nos arriscaríamos a fazer uma compra se a gente não tivesse absoluta confiança no vendedor?, diz Roberto Fulcherberguer, gerente de compras de informática do Grupo Pão de Açúcar, que vende PCs da Metron nas lojas Extra e Eletro.