25/01/2006 - 8:00
No final dos anos 70, Birigüi, no interior de São Paulo, já era conhecida por suas pequenas e médias indústrias de calçados infantis. Mas a família de Carlos Alberto Mestriner não tinha nada a ver com isso. Os pais e seus cinco irmãos eram ?da roça?. ?A gente vivia da agricultura. Mas para estudar, fui para cidade, onde, com 11 anos, comecei a trabalhar como office-boy em uma fornecedora da indústria calaçadista?, lembra ele. Foi assim que Mestriner ganhou familiaridade com o processo de produção calçadista e resolveu, com ajuda dos pais, montar sua própria fábrica. ?Eu tinha 19 anos e meu pai me emprestou o equivalente a R$ 20 mil para começar o negócio.? Naquela época, até a mãe e os irmãos de Mestriner ajudavam na produção, quase artesanal, que não passava de 15 pares por dia. Hoje, 22 anos depois, a Klin é a maior do setor infantil, com 36 mil pares produzidos diariamente. A segunda colocada é a Bibi, com 7 mil pares diários.
O nome Klin é a versão aportuguesada do inglês ?clean?, que significa limpo, puro. Desde o começo, o empreendedor fez questão de manter na empresa a simplicidade de quem trabalha no campo. ?Temos 4 mil funcionários. Desse total, apenas dois são diretores e oito são gerentes. Não temos aquele monte de supervisores de produção. A própria equipe é comprometida com o controle de qualidade?. É isso, segundo Mestriner, que diferencia a empresa de outras líderes do passado, como a Popi, que quebrou por problemas financeiros e a Ortopé, cujo dono, o gaúcho Horst Volk, foi preso em 1999 por ter deixado de recolher o INSS de empregados.
Mas não é só a gestão enxuta que conta pontos a favor da Klin. A empresa não tira o olho de seus consumidores. A cada lançamento, os novos modelos, antes mesmo de serem aprovados para a produção, são submetidos à analise da garotada. ?Constantemente reunimos um grupo de crianças, de várias regiões do País, para que elas digam o que acham dos produtos?, diz Mestriner. ?Não fazemos miniaturas de sapatos adultos. Nossos calçados são anatômicos, desenvolvidos com base em estudos médicos?, endossa a designer Milva Mestriner. Não foi à toa que a Klin, além de liderar o mercado nacional, conquistou consumidores em 62 países.
Nas lojas do Brasil, a febre se repete. As crianças chegam pedindo o sapato pela marca. Isso porque a empresa investe 5% do que fatura (sua receita é estimada em R$ 250 milhões ao ano) em propaganda. Os mascotes da marca ? o cachorro Klin, a menina Paty e garoto Rafa ? aparecem na TV diariamente. São tão admirados que Mestriner teve a idéia de fazer bonecos iguais a eles para vender em kits, junto com os calçados. O ex-office-boy entende o que petizada quer.