17/08/2005 - 7:00
Ao final do ano, quando os números de 2005 forem contabilizados, as oito empresas de telefonia celular em operação no Brasil terão uma arrecadação extra de R$ 500 milhões. Esse volume de dinheiro será pago pelos donos dos 75,5 milhões de telefones móveis do País que utilizam os aparelhos em busca de conteúdos específicos como notícias do último escândalo de Brasília, os gols do Campeonato Brasileiro de Futebol, a última música tocada nas paradas de sucesso das rádios ou um toque diferenciado no seu aparelho. A área de conteúdo é hoje o setor que mais cresce dentro das operadoras e a que mais chama atenção dos consumidores. Como a cada dia a receita de voz perde força diante do conteúdo, as empresas de celulares tentam encontrar um novo formato para seu negócio. ?Todo mundo está montando a sua tropa de elite para descobrir as melhores oportunidades nesse setor?, diz Leonardo Xavier, diretor da Tellvox, companhia criada há dois anos para atender exatamente essa nova demanda das telefônicas.
Atualmente há uma corrida frenética entre as operadoras para sair na frente dos concorrentes em relação a última novidade tecnológica no celular. Em julho, a Vivo lançou o celular de terceira geração capaz de receber sinais de televisão na tela do equipamento. Para não ficar atrás, a Claro comunicou aos seus consumidores que os fanáticos por futebol poderiam acompanhar os gols do time preferido no celular. ?Vamos nos concentrar em cinema, futebol e música?, afirma Marco Quatorze, diretor de conteúdo da Claro. Focando nessas três áreas, a idéia da companhia é montar uma prateleira de produtos para atingir, principalmente, os clientes de 16 a 28 anos, que são mais receptivos a esse modelo de relacionamento e representam 50% da atual base de 14 milhões de assinantes da operadora. A Claro fez acordos para vender pelo celular músicas das principais gravadoras, como a Universal, a Trama e a Sony. A estratégia está rendendo frutos. Por mês, os clientes Claro copiam 5 milhões de arquivos entre imagens, toques personalizados e vídeos. ?O bom conteúdo pode reter, atrair e até aumentar o valor médio da conta dos clientes?, afirma Quartoze. A empresa tem 90 parceiros que produzem o material necessário para a distribuição. Essa tendência está se consolidando em países desenvolvidos. No Japão, por exemplo, a receita com conteúdo da Vodafone, terceira maior operadora de celular do país, representa 21% do faturamento.
Esse é um dos objetivos da Vivo, a maior companhia do País. ?Os nossos volumes
de tráfego nessa área dobram a cada ano?, afirma André Mafra, diretor de conteúdo da empresa. Com 28 milhões de assinantes ? o maior contigente do País –, a Vivo
já arrecada 6,5% da sua receita anual a partir da área de conteúdo. Nesse setor,
os números da empresa impressionam. A cada mês os usuários copiam 1 milhão
de games, 2,5 milhões de toques personalizados (ringtones) e fazem 2 milhões
de acessos ao portal de notícias. Todo esse conteúdo é fornecido por 120 parceiros que também ganham com a divisão dos lucros. ?O futuro das operadoras será
a prestação de serviços?, diz André Mafra, dono hoje de um dos cargos mais cobiçados na Vivo.