15/06/2005 - 7:00
A Bolívia entrou em ebulição ? e a economia brasileira já sente os efeitos da agitação no país vizinho. Com o clima de guerra civil nas ruas bolivianas, é altíssimo o risco de haver interrupção no fluxo de gás natural pelas tubulações de 3,1 mil quilômetros de extensão que ligam os campos bolivianos a refinarias em território brasileiro. A Petrobras, dona do gasoduto em que investiu US$ 1,5 bilhão, já colocou em execução um plano de substituição do gás natural em algumas de suas refinarias. Ele cederá lugar a combustíveis alternativos como o óleo. Em São Paulo, destino final de 60% dos 24 milhões de metros cúbicos de gás que chegam todos os dias pela tubulação, a secretaria estadual de Energia igualmente traçou um plano de contingência para o caso do gasoduto sofrer atentados. ?O corte de fornecimento vai começar pelas usinas termoelétricas e poderá chegar aos postos de abastecimento de automóveis?, avisa o secretário Mauro Arce. No Estado, duas mil empresas utilizam gás natural. ?Sugerimos que negociem diretamente com suas fornecedoras?.
Sublevados contra a classe política boliviana, a maioria indígena e mestiça tomou as principais cidades do país com exigências de eleições imediatas e nacionalização dos campos de petróleo. Sete deles, de companhias estrangeiras, foram ocupados por manifestantes com bananas de dinamite nas mãos. Nenhum da Petrobras. ?Nossos campos estão no Sul, onde a situação ainda é tranqüila?, informou uma fonte da companhia. O presidente Lula mandou o ministro Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais, acompanhar a confirmação pelo Congresso boliviano da renúncia do presidente Carlos Mesa, anunciada na segunda 6. ?A situação é caótica, os bloqueios continuam e não há acesso entre as cidades?, disse à DINHEIRO o ministro conselheiro da embaixada brasileira em La Paz, Carmelito de Melo.
Em nota divulgada na quinta 9, a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia anunciaram o contingenciamento no fornecimento de gás a suas refinarias. Garantiu-se que não haverá desabastecimento de gás de cozinha. Atualmente, o Brasil consome diariamente 40 milhões de metros cúbicos diários. Desses, 24 milhões são importados da Bolívia ao preço de US$ 611 milhões por ano, equivalente a 7% do PIB do país. ?A Petrobras está preparada para atenuar a crise de abastecimento causada pela Bolívia?, afirmou o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella. A companhia mantém 11 mil empregados e 100 postos de combustíveis no país. ![]()