Vinte anos depois de sofrer uma fragorosa derrota na definição do padrão mundial de videocassetes, a Sony está de volta ao ringue. Seu adversário: a também japonesa Toshiba. A disputa: a próxima geração de DVDs. No ano passado, as duas companhias abriram as negociações para tentar lançar uma única versão, mas o orgulho tecnológico e a briga de egos em escala multinacional não permitiu que se produzisse consenso. Resultado: serão lançados dois padrões concorrentes. Na semana passada, durante a feira japonesa de eletroeletrônicos, a famosa Ceatec, a disputa aflorou. De um lado, a Toshiba mostrou seu HD-DVD, que deve chegar ao mercado japonês ainda esse ano. Do outro, foi apresentado o Blu-Ray, da Sony, previsto para o início de 2006. O principal diferencial é a capacidade de armazenamento. A tecnologia Blu-Ray permite gravar até 50 GB de memória em um disco, enquanto a concorrente da Toshiba não vai além de 30 GB. Ambas prometem definição de imagem superior àquela oferecida pelo DVD atual ? mas não se trata de uma diferença tão grande quanto àquela que havia entre os videocassetes e os DVDs. O grande entrave à expansão do novo padrão será o preço: estima-se que os equipamentos vão custar cerca de R$ 5 mil, dez vezes mais que um DVD normal.

Nessa reedição da batalha entre o Betamax da Sony e o VHS da JVC, os fabricantes empilham argumentos. Os japoneses da Sony afirmam que seu Blu-Ray usará uma tecnologia duradoura, que não ficará obsoleta tão cedo, além de ser acoplável ao PlayStation3, console de maior sucesso na era dos games. Já a Toshiba aposta na vantagem de que os fabricantes do HD-DVD não precisarão efetuar grandes mudanças em suas linhas de produção, uma vez que as diferenças de hardware para os modelos atuais são pequenas. A Toshiba promete que ao usar o mesmo maquinário e manter o mesmo formato de discos os fabricantes poderão oferecer produtos mais baratos. No passado, a Sony deu-se mal com o Betamax entre outras razões porque ele custava mais caro, embora o principal motivo da sua derrota tenha sido o isolamento tecnológico. O VHS difundiu-se como uma espécie de padrão aberto enquanto a Sony fechou-se e encolheu. Agora não. Ao seu lado estão marcas e empresas portentosas como Philips, Apple, Panasonic, Samsung, Dell, HP e Twentieth Century Fox, entre outros. Entre os aliados da Toshiba estão Warner Home Vídeo, HBO, Sanyo Electric e, recentemente, Microsoft e Intel. Em cima do muro por enquanto apenas o estúdio Paramount, que anunciou a produção de filmes nos dois formatos. “Quem definirá o padrão será Hollywood”, garante Luciano Alves, gerente da LG. Enquanto a disputa esquenta lá fora, o Brasil assiste de camarote. A novidade vai demorar a chegar ao País. Quando finalmente o fizer, o padrão provavelmente já estará definido pelos grandes centros de consumo. “Temos a vantagem de observar. Só vamos produzir o que se consolidar em outros mercados”, diz Sérgio Baptista, gerente da Philips no Brasil. Ademais, em solo nacional, o DVD Player ainda tem fôlego para sobreviver por alguns anos. Enquanto nos países desenvolvidos o equipamento é o que registra maior declínio entre os eletrônicos ? o que explica o aparecimento da Geração 2 ? aqui as vendas crescem quase 100% ao ano. Foram vendidas 3,8 milhões de unidades em 2004 e espera-se a venda de 6 milhões em 2005.

US$ 15 bilhões é quanto movimentou o mercado mundial de DVDs em 2004