11/05/2026 - 7:00
A inteligência artificial (IA) generativa é um tipo de tecnologia capaz de produzir conteúdo a partir de padrões aprendidos em grandes volumes de dados. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude não “pensam” como humanos, mas conseguem simular raciocínios e executar tarefas cognitivas com rapidez e custos muito baixos.
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O ponto mais importante é a escalabilidade: diferentemente de robôs físicos, que exigem investimento maciço de capital e adaptação de muitos processos, a IA generativa é acessada apenas com uma conexão à internet, o que amplia e acelera seu impacto sobre tarefas repetitivas de escritório, análise e produção de informação.

Um estudo de maio de 2025 da Organização Internacional do Trabalho propõe analisar os impactos da IA generativa no trabalho mundial em gradientes: das ocupações pouco expostas às que têm grande parte de tarefas e rotinas com alta chance de automação. Essa visão é mais útil do que previsões alarmistas, porque reconhece que empregos são compostos por múltiplas atividades, sendo algumas automatizáveis e outras não.
Em sequência, repliquei a metodologia para o mercado de trabalho brasileiro e os números chamaram a atenção: 31 milhões de trabalhadores estão em ocupações potencialmente afetadas, mas apenas 5,4 milhões no gradiente mais alto de exposição. Dentro desse grupo, 4 milhões de ocupados são escriturários gerais, funções administrativas típicas muitas vezes associadas a vínculos estáveis no setor público.
Isso muda completamente a interpretação
Em vez de uma onda imediata de desemprego, o mais provável é um aumento de eficiência nas funções administrativas, com reorganização de tarefas e possível realocação de trabalhadores para atividades de maior valor agregado. A IA generativa não elimina necessariamente o posto de trabalho, mas redefine o que significa trabalhar nele.
Alguns estudos nos Estados Unidos mostram que a IA generativa impacta sobretudo posições de entrada, como desenvolvedores e programadores júnior, redatores e analistas iniciantes. A evidência sugere que a IA generativa acaba encolhendo o espaço de entrada para jovens, tornando mais difícil a transição de estágios e primeiros empregos para carreiras mais estáveis.
Um trabalho mais recente do economista Daniel Duque, para o FGV IBRE, parte dessa mesma preocupação global, mas com foco no Brasil. Ele procura medir o impacto causal da IA generativa no mercado de trabalho, ou seja, o que realmente muda por causa da tecnologia, e não apenas por outros movimentos da economia. Com base em uma classificação de exposição por ocupação, o estudo mostra que a probabilidade de ocupação de jovens de 18 a 29 anos em funções mais expostas à IA cai em torno de 5%, enquanto a renda tende a recuar quase 7%. Já para grupos mais velhos, os efeitos ficam próximos de zero, sem mudanças significativas na empregabilidade ou na remuneração.
Agentes de IA
Os chamados “agentes de IA” têm tudo para ser o próximo passo lógico na evolução da inteligência artificial. Esses agentes são sistemas capazes de tomar decisões, planejar etapas, coordenar ações e interagir com outros sistemas por longos períodos sem supervisão constante. Assim que se tornarem escaláveis e confiáveis em grande escala, é provável que afetem uma fatia ainda maior de empregos, especialmente funções administrativas e de coordenação, mas longe de causar desemprego em massa.
Já a próxima grande promessa, a onda de robôs físicos avançados, humanoides e braços autônomos que circulam pela internet, ainda não entrou em fase de propagação econômica. O custo de produção de peças, sensores, motores e baterias de alta performance é extremamente elevado e a manutenção desses sistemas é complexa e cara. Enquanto isso, humanos continuam desempenhando uma infinidade de tarefas braçais, flexíveis e muitas delas de baixo custo, desde logística e construção até serviços de limpeza e atendimento. Em muitos setores, portanto, ainda compensa mais contratar pessoas do que substituir a força de trabalho por robôs físicos, o que freia a disseminação dessa onda, mesmo que a tecnologia avance rápido em laboratórios e em vídeos nas redes sociais.
Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence
