03/08/2005 - 7:00
A Sylvania só faz lâmpadas no Brasil. De suas duas fábricas em São Paulo saem 16 milhões unidades/ano de um produto de baixo valor agregado, reduzida margem de lucro e que permite poucas novidades tecnológicas. Não bastasse isso e a companhia, dona de um faturamento mundial de US$ 1 bilhão, ainda tem que disputar mercado com empresas como GE (US$ 152 bilhões em receitas), Philips (US$ 41 bilhões) e Siemens (US$ 92 bilhões) ? potências com centenas de outros negócios e caixa suficientemente forrado para manter saudável a divisão de lâmpadas. Isso sem contar a briga com a importação de produtos chineses, indianos e coreanos, que vão ao mercado com preços 50% inferiores. Ainda assim, com todos esses obstáculos, a Sylvania vem se destacando no setor. É a líder no segmento de lâmpadas fluorescentes tubulares (aquelas de escritório), com 26% de participação, tem um dos maiores volumes de produção e rivaliza com as demais no mercado geral de lâmpadas ? não há números fechados, mas as empresas calculam que, contando todos os tipos de lâmpadas, cada marca detenha 20% das vendas, incluindo as importadas. ?É luta de gente grande?, diz Hamparsan Chekerdemian, diretor de marketing da Sylvania.
O segredo da trajetória bem sucedida da Sylvania, de acordo com Chekerdemian, é a inovacão, em serviços e produtos. A empresa gasta, por exemplo, R$ 500 mil ao ano, em média, no treinamento de arquitetos e profissionais especializados na iluminação de restaurantes, hotéis e lojas. Também presta consultoria para os clientes, indicando o melhor e mais econômico modelo de iluminação. O cuidado com o mercado corporativo não é à toa. Ele representa, hoje, quase 80% das vendas de lâmpadas tubulares. ?Nosso outro diferencial é a aposta em nichos de mercado, com o lançamento de produtos inéditos?, diz Chekerdemian. Entre as novidades, a linha PetCare. São lâmpadas para iluminar aquários, corais, terrários de iguanas (é sério, a imagem do bicho está na embalagem do produto), viveiros de cobras e outros répteis. ?A iluminação correta é fundamental para o metabolismo dos animais?, explica Chekerdemian. A Sylvania está de olho nos oito mil pet shops espalhados pelo Brasil.
No lado operacional, a companhia tem uma vantagem em relação a GE ou Philips. Ela só atua no mercado de lâmpadas e, ao contrário das rivais com suas centenas de negócios, pode se concentrar 24 horas por dia nesse setor. Vem dando certo. Em 2004, ela faturou R$ 75 milhões. A previsão para este ano é de R$ 89 milhões. ?O Brasil vem apresentando bons índices de crescimento dentro da corporação. Só não é melhor por causa da concorrência dos asiáticos, com seus produtos baratos e ineficientes?, reclama o executivo. Para tentar barrar o avanço das ?importadas?, as fabricantes estão pressionando o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) para que o selo de qualidade nos produtos do setor ? que já existe ? seja compulsório. A expectativa é de que até janeiro do ano que vem, qualquer lâmpada chegue ao mercado com o selo. ?Só assim o segmento poderá crescer?, diz Chekerdemian.