27/03/2002 - 7:00
Feiras e exposições são o cenário ideal para a mostra de tendências. A Telexpo, evento do setor de telecomunicações que aconteceu em São Paulo, na última semana, não fugiu à regra: deixou claro que chegou a hora da imagem. Não a imagem em papel, nem em computadores, mas a imagem na tela do celular. ?Agora sim os celulares estão parecidos com o computador?, diz Vander de Castro, gerente de marketing da Comverse, uma empresa americana especializada em transportar serviços da internet para terminais móveis, incluindo celulares e palmtops. Dos 720 expositores da Feira, pelo menos 50 estavam anunciando novos produtos para a telefonia móvel. A experiência internacional sugere que essa é uma nova área de consumo. Na Europa, por exemplo, 15% da receita das operadoras já vem dos serviços de troca de mensagens escritas, chamado de SMS. Agora, com a possibilidade de trafegar imagens e sons, esse serviço vai se tornar ainda mais atraente.
?O cliente corporativo paga mais, mas os adolescentes são a grande massa de consumidores?, diz Carlos Castilho, diretor de contas da Logica, uma multinacional que desenvolve conteúdos multimídia para celular. Eis a palavra mágica: multimídia. A troca de mensagens, que hoje em dia são meros bilhetes, vai ficar muito mais rica. Além dos textos, os celulares multimídia enviam imagens e animações de um terminal a outro, em questão de segundos. O serviço é completo: numa data especial, o cliente poderá mandar uma foto para um amigo, acompanhada de um fundo musical. Outra possibilidade é enviar instantaneamente uma foto tirada com o celular-câmera, um dos vários produtos inovadores em exposição na Telexpo.
Para suportar os novos aplicativos, os celulares foram obrigados a mudar de cara. Um dos lançamentos da Samsung, por exemplo, chega ao requinte de ter uma tela com 4 mil tonalidades de cor. ?O colorido não é suficiente para vender o aparelho. É preciso oferecer utilidade para isso?, diz André Varga, responsável pela área de produtos da Samsung. Por isso é que fornecedores de tecnologia, operadoras e fabricantes de aparelhos estão se unindo. De um lado, está a possibilidade de atender os clientes empresariais, aqueles que costumam pagar pesado por soluções que ajudem no dia-a-dia da companhia. Para eles, é essencial que um gráfico possa transitar entre celulares, sem perdas na qualidade. Mas é no mundo do entretenimento que os aplicativos estão mais evoluídos. No Brasil, estima-se que 100 milhões de mensagens de texto sejam trocadas por mês, via celular, e que mais de 50% dos envolvidos sejam jovens entre 14 e 21 anos.
Tanta novidade esbarra num tradicional obstáculo: o preço. Os aparelhos mais modernos, que suportam a troca de imagens, chegam no final do ano, com valor estimado entre R$ 1.500 a R$ 2.000. ?É caro quando comparado aos celulares tradicionais, mas as aplicações substituem agendas eletrônicas e até palmtops?, diz Varga. Esse é o preço do produto importado, mas a expectativa é de que sejam fabricados no País tão logo haja demanda que justifique.