O empresário Marcos Moraes não poderia contar com garoto-propaganda melhor. Nas últimas semanas, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, distribuiu cerca de 150 garrafas da cachaça Sagatiba para analistas de mercado e jornalistas que compareceram aos eventos de divulgação dos resultados financeiros da siderúrgica. De quebra, derramou-se em elogios à bebida e informou que Marquinhos está investindo US$ 20 milhões para colocar o produto no mercado europeu. Com a propaganda voluntária, Steinbruch revelou a nova tacada do filho de Olacyr de Moraes. O negócio dele agora é cachaça. O homem que criou a Zip.Net e vendeu o portal por US$ 302 milhões para depois mergulhar no mundo da moda está farejando uma bela oportunidade de negócio no rastro da descoberta planetária das virtudes do destilado brasileiro. ?É uma bebida em alta graças à popularidade da caipirinha, mas falta uma marca com reconhecimento internacional?, observa Moraes.

Determinado a construir esta marca, o empresário associou-se a dois outros jovens empreendedores: Lucas Rodas e Roberto Biagi, criadores da Caipirinha Ice, drinque lançado há um ano e já expor-
tado para Espanha e França. Alguns contratos de distribuição da Sagatiba já foram assinados, mas Moraes faz mistério sobre os mercados que serão atacados. ?O que posso dizer é que a Itália
é um dos três ou quatro países onde estaremos já no próximo verão europeu?, revela. Apesar da ?sinergia? entre os negócios, Moraes
diz que sua experiência com a caninha não tem ?nada a ver? com
os 220 mil hectares de fazendas de cana de açúcar de seu pai ?
ex-Rei da Soja e atual aspirante a Rei do Açúcar. Também não há sociedade, só camaradagem, com Steinbruch. ?Somos amigos?, diverte-se Moraes. ?Ele gostou da cachaça e me pediu umas
caixas para fazer a divulgação.?

Certamente não é o caso agora, mas Moraes já teve decepções ao misturar amizades e negócios. Nos últimos anos, ele investiu US$ 8,5 milhões na Language, a descoladíssima loja do casal de amigos Lipe Medeiros e Ana Abdul em Nova York. A loja virou grife e entrou no roteiro de celebridades do porte de Madonna. Pois este negócio será liqüidado no mês que vem, e Moraes está recorrendo à justiça para receber o dinheiro de volta. Uma auditoria feita no segundo semestre do ano passado revelou que o badalado empreendimento estava falido. ?O dinheiro da Language foi parar em obras de arte de US$ 40 mil?, diz. É o fim da Language, mas Moraes não desistiu da moda. Sua grife feminina Flor é candidatíssima a exportação.