05/01/2005 - 8:00

MOVIMENTO Até 20 empresas, de vários setores, devem abrir capital em 2005
Historicamente, a prudência sempre deteve analistas de investimentos um passo antes de recomendar aplicações na bolsa de valores. A fama de antro de especuladores, de mercado de poucas empresas e pouquíssimos investidores sugeria à pessoa física manter distância do pregão. No ano passado, o Brasil se deu conta, satisfeito, de que esses tempos começam a ficar para trás. Em um movimento que entrou instantaneamente para a história, sete empresas de destaque em seus setores abriram seu capital, lançando ações na Bolsa de Valores de São Paulo ? instituição que mostra bons resultados em sua política de atração de mais e melhores investidores. Depois de anos de vacas magras, a Bovespa movimenta hoje uma uma média de R$ 1,23 bilhão por dia, com 54,8 mil negócios realizados por pregão. Deste total, 29% fica a cargo de pessoas físicas, o dobro do que se via há cinco anos. Paralelamente, com a estabilidade interna e a melhora do cenário econômico interna-
cional, os investidores estrangeiros voltaram ao pregão, encerrando novembro com saldo positivo de R$ 851,7 milhões. Melhor: depois de um 2003 com uma valorização de impressionantes 97%, a Bovespa sustentou uma alta adicional de 17,8% em 2004, fechando o ano no patamar histórico de 26 mil pontos. Estão dadas, deste modo, as condições que prometem fazer de 2005 o ano da maturidade na Bolsa. Se tudo correr bem, um impressionante contingente de até 20 empresas ? muitas delas de médio porte ? deve abrir seu capital nos próximos 12 meses, e as pessoas físicas se consolidarão como força mais dinâmica do mercado de capitais no Brasil.
Os bons ventos na Bolsa não devem, no entanto, desviar a atenção do investidor de um indicador que continua crucial na análise do cenário das finanças no Brasil: a Selic. Depois de um período auspicioso de cortes, a taxa básica de juros voltou a sofrer uma seqüência de aumentos a partir de setembro, fechando o ano em 17,75%. Nas páginas seguintes, além de um panorama das empresas que entraram na Bolsa no ano passado e daquelas que se preparam para estrear em 2005, DINHEIRO mostra que, com o atual nível de juros, os fundos de renda fixa continuam sendo uma alternativa segura e rentável e os multimercados, uma boa opção de diversificação. De quebra, o guia de investimentos para 2005 passa em revista as mais diversas opções do mercado ? da previdência privada aos títulos públicos; do mercado imobiliário aos fundos em euro ? e as novas tendências em estilo. Feliz 2005 e ótimas aplicações.