A Lotto Sport, fabricante de material esportivo, é a número 1 no prestigioso mercado italiano de futebol. Ela também ocupa uma posição expressiva na Europa, onde figura na quarta colocação, atrás de Adidas, Nike e Puma. Com receita anual na casa dos US$ 400 milhões, o logotipo da Lotto estampa a camisa de 80 clubes ao redor do mundo. São 400 atletas contratados, onde se destacam o italiano Luca Toni (Bayer de Munique), o surinamês Clarence Seedorf (Milan) e os brasileiros Cafu (Milan) e Doni (Roma).

Apesar disso, a grife jamais conseguiu marcar um gol por aqui, onde desembarcou pela primeira vez em 1994. Uma nova tentativa, alguns anos mais tarde, também ?bateu na trave?. Mas, no que depender de João Augusto Simone, diretor de operações da Lotto no País, dessa vez é para valer. Tamanha confiança se deve ao fato de que a volta aos gramados brasileiros é um projeto encabeçado pelo próprio Andrea Tomat, presidente mundial da Lotto. Tomat assumiu o posto em 2002, disposto a fazer uma ampla reestruturação na companhia. ?Não tinha sentido para uma marca que é sinônimo de futebol ficar de fora do mercado brasileiro?, justifica Simone. As idas-e-vindas, dizem os analistas, não prejudicaram a imagem da grife. ?Os equívocos do passado não queimaram a Lotto?, opina o consultor Marcelo Neves, diretor da Sportservice, especializada em marketing esportivo.

A estratégia desenhada para o Brasil inclui uma tabelinha com os amantes do esporte e a aposta no prestígio do design italiano. As negociações com clubes de primeira linha já começaram. O executivo não revela os nomes. Deixa escapar, contudo, que as conversas envolvem equipes cariocas. Para atrair esportistas profissionais e amadores, a marca, por meio de sua parceira local ? a Filon Confecções, da qual Simone é sócio ?, está produzindo uma série de itens de vestuário. A venda de calçados, camisas e agasalhos será restrita a 350 pontos- de-venda, situados entre Brasília (DF) e Porto Alegre (RS) e escolhidos a dedo por serem freqüentados por consumidores das classes A e B. O destaque da coleção é a chuteira Zhero Gravity, que chega às lojas no final do mês e será vendida por R$ 1,7 mil. ?É a chuteira mais cara do mundo?, conta Simone. Feito em microfibra hidrorrepelente, o calçado não tem cadarço e combina leveza e maciez, permitindo ao atleta bater com efeito na bola, como se estivesse descalço. Para dar suporte a esse trabalho, a Lotto investirá forte em marketing: ?Vamos aplicar cerca de 10% do faturamento?.

US$ 400 MILHÕES é quanto a grife fatura em nível global

O futebol, contudo, não é o único filão no qual a Lotto está de olho. É que, apesar de ter suas raízes nesse esporte, a empresa também flerta com o mundo do tênis. Patrocinadora oficial do Italian Open, a grife veste astros como o espanhol David Ferrer e a indiana Sania Mirza. ?As vendas dessa divisão começam apenas em 2008?, conta o superintendente da filial brasileira da Lotto. A meta, de acordo com Simone, é trabalhar de forma paulatina, dando passes curtos e calculados, sem pressa de atingir o gol. Até porque, qualquer erro pode rebaixar a empresa para a terceira divisão.