30/11/2005 - 8:00
Nos últimos dias, a pasta do executivo Antônio Carlos Romanoski, presidente da Sundown, anda recheada de papéis e relatórios com números referentes à empresa. O motivo: ele acaba de negociar a prorrogação de seu contrato de trabalho, cujo vencimento seria em fevereiro de 2006, com os acionistas. Os indicadores serviram como argumentos para Romanoski nas conversas com seus patrões. Afinal, pela primeira vez desde 1999, data de nascimento da companhia, o balanço registra um resultado positivo. Para um faturamento de R$ 200 milhões nos primeiros nove meses deste ano, o lucro líquido chegou a R$ 14 milhões ? em 2004, o faturamento ficou em R$ 103 milhões e o prejuízo foi de R$ 5 milhões. Com esses números, Romanoski atingiu uma parte das metas atribuídas pelos acionistas ao assumir o comando do negócio em junho de 2003. Os outros objetivos também estão em vias de ser concretizados. Há um ano, ele tem se dedicado a transformar a Sundown de uma fabricante de bicicletas em uma marca também de motocicletas e abocanhou 3,5% das vendas de um milhão de unidades no País.
O próximo passo será transformar a Sundown em uma companhia de capital aberto. Romanoski recusa-se a falar sobre o assunto. Mas, segundo o fontes do setor, a estréia nas bolsas (na Bovespa e em Nova York), primeiramente marcada para outubro ou novembro, deverá acontecer no início de 2006. Os preparativos continuam. O nome oficial da empresa mudou de Companhia Brasileira de Bicicletas para Brasil em Movimento SA. O conselho de administração passa por uma reformulação. Profissionais como Arnim Lore, Getúlio Arrigo e Fernando Mitre (ex-presidentes da Varig, Gradiente e IBM), além do economista e consultor Luiz Paulo Rosenberg, foram convidados a se juntar aos acionistas para compor o conselho.
O lançamento de ações será uma das fontes de recursos para sustentar a expansão da Sundown. Enquanto esse dinheiro não vem, a companhia foi bater às portas do BNDES e levantou R$ 37 milhões em um programa de geração de emprego. ?Praticamente dobramos nosso quadro de pessoal, para cerca de mil funcionários?, afirma Romanoski. ?Isso porque ampliamos a capacidade de nossa fábrica de Manaus para duplicar nossa participação no setor.? A principal arma nessa corrida é a Hunter 90, uma motocicleta de 90 cilindradas com preço sugerido de R$ 2,9 mil ? ou
?R$ 57 por mês no consórcio?, como sugere ele. Os produtos mais baratos do mercado, de 125 cilindradas, encontram-se na faixa de R$ 4,7 mil. ?Vamos atingir o sujeito que hoje compra motos pequenas usadas?, diz Romanoski.
A outra ponta do mercado consumidor também está na mira da companhia. A linha de produtos dobrará até o final de 2006 ? de seis para doze modelos, inclusive um de 250 cilindradas, com o estilo retrô eternizado pela Harley-Davidson, na faixa de
R$ 13 mil. Nessa caminhada, Romanoski identifica uma dificuldade. ?Nosso pós-venda ainda precisa de aprimoramento?, admite. Um dos motivos seria a rápida expansão da rede de revendedores. Há um ano, quando a Sundown começou a comercializar motos, não havia uma concessionária sequer. Até o final deste ano a rede terá 110 pontos, número que atingirá 220 em 2006. Foi a clássica estratégia de ?comer pelas bordas?. No início, a Sundown deu prioridade para o interior do País. Só agora está chegando às grandes capitais. ?Pelos nossos resultados, foi a estratégia correta?, diz Romanoski. ![]()
R$ 200 milhões foi o faturamento nos primeiros nove meses de 2005, quase o dobro do mesmo período de 2004 |