20/06/2007 - 7:00

PROJETO ÁGUAS CLARAS: área de 1,9 milhão de m2 terá casas de alto padrão, escritórios e shopping center
Segunda maior mineradora do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce abriu uma nova frente de negócios. Vai construir um moderno centro urbano no município de Nova Lima (MG), a 20 quilômetros de Belo Horizonte, bem no meio de um de seus patrimônios fundiários. A idéia surgiu com o esgotamento da Mina de Águas Claras, no sul da capital mineira, onde foram explorados cerca de 300 milhões de toneladas de minério de ferro, entre 1973 e 2002. Sem o retorno financeiro da mina, restou à Mineração Brasileiras Reunidas (MBR), empresa da Vale, criar uma alternativa comercial para a região. Assim surgiu o Projeto Águas Claras. Um gigantesco complexo empresarial que será erguido em 1,9 milhão de metros quadrados, o que representa menos de 10% da propriedade da MBR no município. “A mineração é um uso temporário do solo. Depois da atividade minerária, a área deve ser recuperada e ter uma nova utilização?, disse à DINHEIRO o diretor-presidente da MBR, Wilfred Bruijn. ?É um exemplo na recuperação e no reaproveitamento do solo que pode se tornar referência no setor.?
A MBR reservou 461,5 mil m2 para áreas comerciais e de serviço, outros 319,1 mil m2 para um parque urbano e mais 115,5 mil m2 para uma área de ensino e pesquisa. O restante será dividido entre setor habitacional com prédios de cinco andares, hotéis, parques de feiras, shopping e um espaço cultural. Mas a âncora do projeto é o Centro Administrativo da Vale, que será todo transferido para o complexo. Embora o contrato de privatização impeça a mudança da sede da Vale do Rio de Janeiro, não faz nenhuma referência à transferência da administração para outros Estados. Hoje, essa administração já está espalhada por Minas Gerais. Se a licença ambiental sair, as obras começam em 2008 e devem durar 20 anos, com a participação não só da Vale, mas de empreendedores interessados em apostar na proposta.
Quem está felicíssimo com o projeto é o prefeito de Nova Lima, Carlos Roberto Rodrigues (PT). O pólo de negócios deve gerar 20 mil novos postos de trabalho, aumentar em 20% o PIB da região e elevar em 150% a arrecadação de ISS e em 50% a de IPTU. Por todos os benefícios e o novo fluxo de pessoas, o município já estuda a criação de uma nova via de acesso sobre o leito da ferrovia desativada da antiga mina, com o objetivo de escoar o tráfego da região. E Carlos Roberto tem certeza de que a licença será concedida. O projeto preserva 90% da área e foi elaborado para evitar movimentação de terra. Além disso, será instalado um sistema de coleta da drenagem pluvial, que recolherá nas áreas urbanizáveis as águas das regiões não-urbanas. Haverá também um sistema de coleta e de tratamento de esgoto sanitário que permitirá a reutilização da água para a limpeza pública e instalações sanitárias. ?A Vale trará empresas, emprego e renda?, vibra Carlos Roberto.