26/01/2001 - 8:00
O maior evento de moda do País mudou de cara, de nome e voltou ao espaço no qual nasceu. Agora, de 31 de janeiro a 2 de fevereiro, no pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, acontece a SP Fashion Week, evento que substitui o MorumbiFashion. Aos 19 anos de idade e depois de dar o nome, patrocinar e abrigar a principal passarela da moda brasileira, o shopping sai de cena e abre espaço para novos patrocinadores, entre eles Riachuelo e Renault. Motivo da despedida: o Morumbi precisa mudar a estratégia de marketing para não perder público. ?Estamos deixando seguir carreira um filho que ficou maior de idade?, justifica Carlos Augusto Bezerra de Miranda, presidente do shooping, que nos próximos meses vai passar por mudanças como ampliação do estacionamento e administração das salas de cinema. Uma campanha publicitária que acaba de ser lançada com o slogan ?Te amo São Paulo? tenta mostrar o Morumbi como um ponto turístico da cidade.
As confecções, os estilistas e modelos que fizeram o nome do MorumbiFashion agradecem o apoio do shopping. Mas vão embarcar em um projeto mais ambicioso. A SP Fashion Week, que também será dirigido pelo produtor Paulo Borges, ganhou o patrocínio de 16 empresas que investiram R$ 3,8 milhões no desfile. ?Estamos tentando ter uma imagem mais ligada à moda sofisticada e quando a cota nos foi oferecida não pensamos nem 30 segundos para aceitar?, conta Nilton Oliveira Júnior, vice-presidente da Riachuelo. A Renault escolheu o evento para divulgar sua marca mais jovem, o Twingo, atrelando o modelo à idéia do carro de quem faz a moda.
A primeira edição da SP Fashion Week marca também a largada para uma meta ousada: aumentar as exportações atuais do setor têxtil da casa do US$ 1 bilhão ao ano para US$ 4 bilhões em 2005. Para atingir esse montante, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) vem coordenando ações que envolvem a indústria, o varejo, estilistas e promotores dos eventos especializados. Acontecimentos como as semanas de moda, participação em feiras, pesquisa e desenvolvimento de novos materiais, viagens de divulgação no exterior, visitas de formadores de opinião estrangeiros fazem parte do portfólio de novas medidas da Abit. ?Estamos tratando a indústria têxtil como uma longa cadeia de produção, estimulando desde o produtor do algodão e da lã até estilistas e modelos?, destaca Paulo Skaf, presidente da entidade.
Um exemplo do apoio coordenado pela Associação é o patrocínio de estilistas brasileiros pelas empresas fabricantes de tecidos. Num esquema bem parecido com o patrocínio de atletas, as empresas investem não apenas dinheiro vivo em desfiles e coleções mas em algo que além de custar caríssimo é muito difícil de realizar: o desenvolvimento de novos tecidos e materiais. Isso dá liberdade de criação aos estilistas, que podem equiparar-se aos profissionais estrangeiros em criatividade e qualidade. ?O meu volume de produção é muito pequeno e jamais eu poderia ter chegado onde estou hoje se tivesse que pagar para produzir tantos tecidos diferentes como os que eu tenho usado?, diz Marcelo Sommer, um dos badalados designers que participam da Semana de Moda. No convite de seu desfile constam nada mais, nada menos que 18 patrocinadores. ?No começo achei que pudesse ser fogo de palha, mas hoje eu sou apaixonado pela criatividade dessa meninada?, festeja Fuad Mattar, dono da gigante do setor de fios e tecidos de lã, a Paramount. Entre tesouras, alfinetadas e glamour, o Brasil vai costurando o que parece ser uma revolução industrial.