Eu voltei agora pra ficar/Porque aqui, aqui é meu lugar/Eu voltei para as coisas que eu deixei/Eu voltei.? É raro o rei Roberto Carlos emprestar o uso de suas canções, especialmente o de clássicos como ?O Portão?. Há poucas exceções. Ele a cedeu, recentemente, a uma outra marca histórica: a MPM, agência de publicidade que se tornou sinônimo de propaganda no Brasil entre os anos 50 e 80 e sucumbiu na década de 90 depois de ser comprada pelo grupo americano Interpublic. Na semana passada, a MPM voltou. Só que agora, pelas mãos da YPY, holding que também é acionista da DM9DDB e da África, controlada pelo publicitário Nizan Guanaes, o Grupo Icatu e João Augusto Valente. No projeto, também estão envolvidos a empresária Bia Aydar e outros executivos. O mercado estima que, para recomprar o selo, foi preciso desembolsar cerca de US$ 1 milhão. A julgar pela força do nome, foi um bom negócio. ?A MPM estará presente em todo o Brasil?, diz Nizan. ?É o título mais forte da propaganda brasileira.?

Quem telefona para a agência, escuta a música de Roberto na linha de espera. Quem ouve Nizan falar sobre a mais nova aquisição entende o motivo de tanto entusiasmo com o retorno da MPM. Ela já nasce como gente grande. Antes mesmo de seu lançamento já tinha seis contas em seu portfólio: a seguradora Sul América, a empresa de cosméticos Unisoap, a fabricante de colchões Probel, o shopping ABC, a dupla Sandy & Junior e uma imobiliária de residências de alto padrão do grupo Odebrecht. Ou seja, começa com metade dos clientes que pretende conquistar até o fim do ano. ?A previsão é um faturamento entre R$ 80 e R$ 100 milhões em 2003?, diz Nizan.

Para transformar o desejo em realidade, a gestão da MPM ficou a cargo de Bia Aydar. Com larga experiência no comando da empresa de eventos Face, ela transita com desenvoltura no meio político, empresarial e artístico. Sua agenda telefônica é de fazer inveja a muita gente. Bia organizava as recepções que envolviam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, na agência, vai pôr em prática o que aprendeu em mais de 20 anos de carreira. ?Não tenho os vícios da publicidade?, diz ela. ?Meu negócio é comandar e sou mandona mesmo.? Além de trazer novos clientes, ela terá a missão de consolidar a empresa em São Paulo e Brasília, as primeiras cidades onde a MPM tem escritório, e expandir a marca para o Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte até 2004.

Ao remontar a história da MPM, percebe-se que a missão não é impossível. Fundada em 1957, em Porto Alegre, pelos publicitários Petrônio Correa, Luiz Macedo e Luiz Mafuz, ela expandiu rapidamente suas operações para todo o País. Mudou a dimensão da publicidade brasileira. A agência chegou a comandar habilidosamente seis contas de bancos concorrentes ao mesmo tempo. No fim de 1990, liderou o ranking de faturamento com uma receita de US$ 180 milhões e foi a primeira a fundir-se com um conglomerado estrangeiro, o Interpublic. Juntos, formaram a MPM Lintas que, em 1996, seria extinta. Agora, 100% nacional, promete voltar ao cenário da propaganda com a mesma altivez que a transformou num ícone.