NO MERCADO DE CAPITAIS, os processos de lançamento de ações costumam ocorrer em ondas, levando à bolsa de valores, em determinados períodos de tempo, várias empresas de setores que demonstram vigor suficiente para atiçar o apetite de investidores. Ocorreu recentemente, na Bovespa, nas áreas imobiliária e de agronegócio, por exemplo. Qual será próximo setor? Quem apostar em Tecnologia de Informação (TI) tem boas chances de acertar. Isso porque todas as previsões dos principais institutos de pesquisa especializados no setor mostram que elas receberão, este ano, um acréscimo de encomendas jamais visto por aqui. Segundo o IDC, elas aumentarão 12,6% em relação a 2006, chegando a R$ 48,6 bilhões. Já o E-Consulting estima o crescimento das vendas em 11,8%. Nesse cenário, ideal para a consolidação de grandes grupos nacionais de TI, já há empresas despontando como fortes candidatas a estrear nos pregões. Os últimos movimentos da G&P Projetos e Sistemas, uma das maiores do setor no País, por exemplo, indicam que ela anda célere nesse caminho.

 

Forte fornecedora de serviços de TI para o setor bancário, com um faturamento estimado em mais de R$ 300 milhões, a companhia acaba de passar por uma importante mudança societária. O empresário Fábio Pereira adquiriu os 50% da G&P que ainda não lhe pertenciam. De imediato, impôs metas ambiciosas de crescimento, baseadas na expansão internacional, para atingir vendas de R$ 1 bilhão até 2011. Para tanto, a G&P estuda a aquisição de uma empresa nos Estados Unidos e outra na Índia. ?Estar no maior mercado consumidor mundial e, ao mesmo tempo, em um dos maiores exportadores de tecnologia é de extrema importância. O triângulo BrasilÍndia- EUA é um vetor geográfico que pode sair vencedor?, prevê Pereira.

No mercado interno, grande responsável pelas altas taxas de crescimento da empresa nos últimos anos ? cerca de 30% só em 2007 ?, a estratégia da G&P é ampliar suas áreas de atuação. ?Esperamos manter a liderança no setor bancário, mas ganhar mercado em telecomunicações, no setor automobilístico e também no governo?, afirma Claus Vieira, vice-presidente do Conselho de Administração. Paralelamente às áreas de software e serviços, a companhia mantém a Faculdade Gennari & Peartree, que conta hoje com quase 2.500 alunos, e uma fundação de apoio à inclusão digital, que atende cerca de duas mil crianças de regiões carentes. Na faculdade, o espírito é o da inovação. O aluno paga a faculdade em função das notas que tem. O bom desempenho é revertido em redução no pagamento. Além disso, a escola também gera mão-de-obra para a empresa. ?Esse é o segredo para que todo mundo tenha motivação para o trabalho social?, diz Pereira.