27/09/2006 - 7:00
Até pouquíssimo tempo atrás, cada produto conectado à tomada pertencia a uma categoria de eletroeletrônico: computadores só processavam informações, televisores passavam a programação das emissoras, telefones serviam para conversar e videogames, para jogar. Tal segmentação, no entanto, virou história e cada setor luta ferozmente para se tornar a central eletrônica da casa. A Sony é uma das que apostaram alto nesse jogo, colocando na mesa sua ficha mais preciosa: a unidade de games, que responde por 10% dos US$ 60 bilhões que fatura por ano, mas que representa quase 40% de seu lucro operacional. Os riscos não são pequenos. Os planos de seu game de terceira geração, o PlayStation 3, começaram a ser detalhados há nada menos do que seis anos. Ken Kutaragi, criador da máquina de fazer dinheiro da Sony, programou para que o lançamento do PS3 coincidisse com a chegada de outras duas tecnologias revolucionárias ao mercado ? o tocador de DVD em alta definição Blu-Ray e o chip multimídia Cell, produzido em parceria com a IBM e com a Toshiba. Traduzidos em ação, essas tecnologias permitem que o usuário do PS3 acompanhe as manchetes do dia, via internet. Lidas, pode-se assistir a um jogo que esteja sendo transmitido online, a um filme em alta resolução ou que tenha sido baixado da rede. É claro, também será possível interagir com jogadores no outro lado do mundo. Ou com outras seis pessoas conectadas ao console, por meio de controles sem fio. Tudo muito impressionante, mas a companhia não conseguiu resolver seu principal desafio: como levar o produto ? e a preços atraentes ? em tempo ao mercado.
Um dos principais motivos é o preço. Enquanto a Sony anunciou que o PS3 custará cerca de US$ 600, a Nintendo cobrará pelo Wii US$ 250 e a Microsoft vende seu Xbox 360, que já está nas prateleiras há quase um ano, entre US$ 250 e US$ 340. ?A Sony ainda lidera graças à marca PlayStation, mas terá dificuldades com o preço alto?, acredita Martino Bagini, diretor da empresa de audiência online RealMedia Latin America. Outro ponto que fez as ações da Sony despencarem foi a notícia de que a primeira leva do PS3 demoraria mais para chegar às lojas, com um número menor de aparelhos do que o previsto. A expectativa inicial é que haveria quatro milhões de consoles no varejo até o fim do ano. Agora, chegará menos de um milhão. O início das vendas, anunciado para o primeiro semestre de 2006, foi adiado para novembro no Japão e EUA e para março de 2007, na Europa. A alteração fez com que a companhia perdesse a época áurea do comércio mundial, o Natal. ?Isso frustra quem espera o lançamento, mas quando o PS3 chegar às lojas, a frustração passa?, diz Marcelo Carvalho, presidente da Abragames.
A justificativa para o atraso vem justamente do item que encareceu o game: a futura geração de DVD player, o Blu-Ray. O próprio Kutaragi confirmou que o principal problema na linha de produção da Sony é a falta de um componente dessa tecnologia. ?Mesmo sem saber se esse será o próximo padrão de DVDs, os aficionados por games não estão interessados em pagar uma fortuna por esse algo a mais?, diz Bagini. Nessa nova geração de consoles, a Sony está vendo crescer um adversário importante: a Microsoft. Com estratégia bem definida e disposta a ganhar mercado, a companhia americana anda colada aos anúncios da rival. Na semana passada confirmou o lançamento, por US$ 168, de um drive HD-DVD que também permitirá a reprodução de vídeos em alta definição como o Blu-Ray. A diferença é que o consumidor poderá optar por tê-lo ou não. ?A Nintendo corre por fora com consumidores fiéis e a força da marca, mas a Microsoft está jogando para vencer?, diz Carvalho. ?Não dá para dizer quem vai ganhar a batalha.? ![]()