17/11/2000 - 8:00
A alegria da Pfizer com a descoberta do Viagra, remédio contra impotência sexual masculina, não deverá durar muito. A concorrente Eli Lilly se associou à Icos Corporation, companhia que tem Bill Gates, presidente da Microsoft, como acionista majoritário, para lançar um medicamento concorrente. Batizado de Cialis, o produto deve chegar, no início de 2003, às farmácias de todo o mundo. Nessa briga, a Lilly Icos já ganhou alguns rounds. Das ações judiciais movidas pela companhia em vários países ? principalmente onde as regras para propriedade intelectual são mais rigorosas ?, contestando a exclusividade da Pfizer sobre o componente ativo do Viagra, o citrato sildenafil, um já chegou ao fim. A Corte londrina considerou inválida a patente e abriu espaço para drogas produzidas por outros laboratórios. Com a decisão, foi inaugurada a corrida ao pote de ouro. Só em 1999, as vendas mundiais do Viagra responderam por US$ 1 bilhão da receita de US$ 16 bilhões da Pfizer. ?Vamos ganhar mercado da concorrência?, avisa o diretor da Eli Lilly do Brasil, André Feher. ?A vitória obtida na Inglaterra é só o começo.?
A subsidiária brasileira já se candidatou a ser uma das sedes das últimas pesquisas clínicas do Cialis. ?Temos boa capacidade acadêmica e um grande mercado consumidor?, afirma Feher. Segundo a matriz, no início do próximo ano esses testes decisivos terão início nas principais filiais da Eli Lilly. Em 2002, o produto será apresentado às agências e aos órgãos reguladores do setor farmacêutico. O lançamento do Cialis é estratégico para a companhia. O produto irá colaborar para superar a forte dependência do laboratório ao Prozac, cuja patente expira, nos EUA, em 2001. As vendas desse antidepressivo representaram, em 1999, um quarto da receita de US$ 10 bilhões. ?Somos líderes no tratamento da depressão, mas sabíamos que o peso dele nas vendas tendia a se reduzir?, conta Feher. ?Já contávamos com o baque.? Além de criar novas gerações de remédios nessa área, a Eli Lilly procurou alternativas em outros segmentos. Cerca de US$ 2 bilhões anuais passaram a ser destinados à pesquisa.