29/05/2002 - 7:00
Pode uma empresa que produz artigos tão diversos como cuecas, sabonetes, cosméticos e café triunfar numa era em que a ordem é concentrar esforços em uma única atividade? Pode. A exceção atende pelo nome de Sara Lee. É americana, fatura US$ 21 bilhões, e no Brasil é dona de marcas como Café do Ponto, Pilão e Seleto, Zorba e Phebo. Nos 170 países em que atua, a fórmula é a mesma: comprar marcas conhecidas, mantê-las com o mesmo nome e injetar dinheiro. Nos últimos dias, a Sara Lee mostrou que é possível crescer diversificando. Criou um grão de café de alta qualidade ao mesmo tempo em que costurava uma estratégia para iniciar venda direta de cosméticos.
A empresa foi buscar inspiração no cafezal da fazenda Boa Esperança, em Serra Negra (SP), para desenvolver o grão Aralto, da marca Café do Ponto. O grão é cultivado a mil metros de altura. Com o crescimento mais lento, o fruto fica mais doce e mais concentrado e resulta numa bebida forte. ?Tratamos o café com a mesma sofisticação que os vinicultores tratam a uva?, compara Edgar Galbiatti, gerente de produto da companhia. O preço será 20% superior ao dos cafés tradicionais: R$ 7 a R$ 8 o quilo. Para a Sara Lee, a diferença está na margem de lucro, 15% a 20% maior que o produto convencional. O apetite dos americanos não se restringe ao setor agrícola. A multinacional prepara agora a sua entrada no mercado de venda direta de cosméticos, que no ano passado movimentou R$ 5,9 bilhões. Deve começar a trabalhar em agosto deste ano com uma de suas marcas globais, a House of Fuller.