04/10/2006 - 7:00
Walter Faria, dono da Cervejaria Petrópolis, é aquele tipo de empresário avesso a entrevistas. Também não gosta de badalação. Ele cultiva hábitos simples, típicos de quem nasceu no interior, e desde cedo está na lida. Mas, quando o assunto é o mercado cervejeiro, a eloqüência substitui a timidez. Também pudera.
Com as marcas Crystal e Itaipava ele acaba de assumir a terceira posição do setor, com uma fatia de 7,02%. Perde para a Ambev e a Schincariol e empata com a poderosa multinacional mexicana Femsa, dona das grifes Kaiser, Bavária e Heineken que acumulam 7,06%. Um empate com sabor de vitória, já que ao contrário da rival, a empresa de Faria segue em trajetória ascendente. ?Enquanto a concorrência fala, nós trabalhamos duro, pagamos impostos e geramos empregos?, dispara. Em um setor no qual cada ponto percentual eqüivale a R$ 100 milhões, a ascensão vertiginosa dessa ?pequena notável?, impressiona. Em dois anos, o faturamento da Petrópolis saltou de R$ 169 milhões para os R$ 800 milhões previstos para 2006. A produção seguiu a mesma trilha, avançando de 148 milhões de litros para 500 milhões de litros, em igual período. E Faria quer mais: ?Temos demanda para atingir 10% do mercado?, diz. Para chegar nesse patamar ele vem reforçando os investimentos nas fábricas situadas em Itaipava (RJ) e Boituva (SP), nas quais já aplicou R$ 230 milhões desde que assumiu o negócio em 2001.
Números, sem dúvida, expressivos e que deixaram a concorrência de orelha em pé. Especialmente depois que Faria foi envolvido na ?Operação Cevada?, que levou para a prisão os controladores da Schincariol, em 2005, acusados de sonegação. O dono da Petropólis alega que foi arrolado no caso apenas porque fora distribuidor da Schincariol na década de 90. ?Sou inocente. A prisão foi injusta, tanto que nem fui denunciado no processo?, garante. A receita de Faria para crescer no mundo cervejeiro inclui táticas típicas de guerrilha. Sem fôlego para atuar em escala nacional, ele selecionou as regiões nas quais teria maior chance de êxito: Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. Desde o início do ano, a Cervejaria Petrópolis adicionou mais seis localidades do Nordeste, Sul e Sudeste ao seu portfólio, totalizando 107 distribuidores.
Com uma verba de marketing limitada a R$ 8 milhões para este ano (a líder Ambev gasta cerca de R$ 400 milhões nessa rubrica), Faria concentra sua ação nos pontos-de-venda. Às vezes, ele dá uma ?incerta? em bares da periferia ou de cidades do interior para medir, ?in loco?, a aceitação do produto. E não raro essas visitas acabam com ele pagando uma rodada para todos os clientes do bar. ?Faço isso sem me identificar?, conta.
Para manter a trilha de crescimento, o dono da Cervejaria Petrópolis pretende construir sua terceira fábrica. A definição do local depende da negociação de incentivos fiscais junto aos governos estaduais e de um empréstimo do BNDES. ?Os estudos estão adiantados?, diz ele, sem revelar maiores detalhes. Com isso, Faria espera sair da posição de nanico, assumindo um posto de destaque no pelotão intermediário. Até porque, em um segmento movido a novidades (A Ambev, por exemplo, acaba de lançar uma nova categoria, a Skol Lemon) e no qual as cartadas atingem a casa dos milhões de reais é de se esperar que os rivais, especialmente os mexicanos da Femsa queiram botar água no chope de Faria. ![]()