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ESPUELAS: sua empresa, a Voy, deverá desembarcar no Brasil no próximo ano

 

O empresário uruguaio Fernando Espuelas gosta de vincular seu nome a idéias pioneiras ? e com elas fazer fortuna. No final dos anos 90, quando a internet provocava euforia nos investidores, Espuelas se transformou em um ícone ao lançar o primeiro portal no âmbito da América Latina, o Starmedia. Agora, aos 41 anos, Espuelas volta à carga na região. No próximo ano, pretende desembarcar por aqui vendendo conteúdo do Voy, o canal de TV que mantém nos Estados Unidos, dirigido para o público hispânico. ?Meu alvo são países como o Brasil, México e Chile?, diz Espuelas em entrevista à DINHEIRO, a partir de Los Angeles, onde mora. ?Sinto que é um momento bom.? O objetivo é aproveitar a convergência digital em mercados emergentes, que, segundo ele, será um dos maiores negócios no ramo da comunicação nos próximos anos. ?Vamos levar todos os nossos serviços e programas para os canais digitais que surgirão com a convergência. Nos EUA já começamos a transmitir alguns programas nos telefones celulares?, conta.

 

Na era digital não haverá somente cinco ou seis emissoras. O público definirá o conteúdo?

 

Espuelas tem um currículo que o credencia a apostar em novidades. Há cerca de dez anos, o Starmedia entrava no ar com uma proposta ambiciosa: ser um portal latino-americano, mas com conteúdo local dos países da região. Com esse projeto, nos dois anos seguintes, Espuelas arrematou US$ 550 milhões de investidores e de um IPO na Nasdaq. Menos de um ano depois, aconsubolha da internet estourou. As constantes brigas com os acionistas da empresa fizeram Espuelas sair do comando do Starmedia. Até hoje, porém, ele mantém uma participação no negócio.

 

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NA ÉPOCA DO STARMEDIA: em dois anos, ele arrematou US$ 550 milhões para o portal

 

Desde então o portal, que chegou a ser o segundo no Brasil, entrou em decacomunidência. ?A audiência começou a cair em 2001, justamente com a saída do seu criador. É normal. Até o Google, caso troque de dono, poderá sofrer fenômeno semelhante?, explica Alexandre Magalhães, coordenador de análise em internet do Instituto Ibope NetRatings.

Em 2002, nascia a próxima empreitada de Espuelas: a Voy, especializada no desenvolvimento de serviços e produtos nas áreas de música, cinema e programas de televisão. Mais uma vez, os latino-americanos foram eleitos como público-alvo. Seus programas são assistidos por 2,5 milhões de espectadores nos EUA. Só em 2006 o negócio consumiu investimentos de US$ 10 milhões.

Na visão de especialistas, a aposta do empresário caminha na direção certa. ?Quem chegar primeiro à convergência digital em mercados emergentes vai se dar bem?, avalia Magalhães, do Ibope. A ?obsessão? pela América Latina vem desde a mudança de sua família para os EUA, quando ele ainda era menino. ?Quando cheguei, percebi que os homens latinos eram vistos como bandidos e as mulheres, como prostitutas. Isso me irritava profundamente?, conta. Tanto o Starmedia quanto a Voy nasceram, segundo o seu fundador, de uma ansiedade em unificar e qualificar o povo da América Latina. ?Sei que é difícil entrar nos mercados latinos, sem parceiros fortes dentro de cada país. Já estou me reunindo com grandes empresas da região. Em alguns meses, tudo estará acertado?, disse. ?Quando me perguntam se vou competir com a Globo, respondo que não. Vamos criar um modelo novo. Na era digital não haverá somente cinco ou seis emissoras. O público definirá o conteúdo. Isso é o que eu quero.?