Um projeto que pretende ligar as duas maiores metrópoles do País em apenas 88 minutos pode começar a sair do papel nos próximos meses. Trata-se do trem-bala, que uniria São Paulo ao Rio de Janeiro em 403 quilômetros de trilhos. A velocidade, de 280 quilômetros horários, seria semelhante à do TGV francês e os investimentos chegariam a nada menos que US$ 9 bilhões. Até agora quem está na frente é a empresa italiana Italplan, cujos estudos de viabilidade econômica já foram aprovados pelo governo federal. Em Brasília, a promessa do Ministério dos Transportes é lançar o edital ainda no mês de maio. No entanto, já surgiu o primeiro problema de ordem prática. A promessa inicial dos italianos era bancar todos os custos com recursos privados. Na semana passada, porém, a própria Italplan levou ao BNDES a sua planilha de custos. E, para surpresa geral, lá constava que o banco deveria comparecer com o financiamento do projeto. ?Essa é uma hipótese?, admitiu à DINHEIRO o executivo José Francisco das Neves, presidente da Valec, a autarquia do Ministério dos Transportes encarregada do projeto. Mas sua aposta é que o projeto será financiado por grupos internacionais. ?O investidor terá uma concessão de 35 anos e poderá obter um empréstimo privado para pagar depois do sétimo ano, quando o trem começará a funcionar?, diz ele.

Neves, da Valec: Sua intenção é
lançar o edital até maio deste ano

A questão do financiamento ? se público ou privado ? é apenas o primeiro entrave. Há também problemas de ordem técnica. Especialistas afirmam que um projeto como o trem bala precisa ser construído com traçados planos e curvas de grandes raios. Para isso, no eixo São Paulo-Rio de Janeiro seria necessário fazer um desvio até Campinas. O governo, porém, já decidiu não esticar o trajeto. Quer levar os passageiros de um ponto a outro em 88 minutos e fim de conversa. Porém, ainda há implicações econômicas que podem tornar a proposta inviável. Na média mundial, a construção de cada quilômetro custa US$ 36 milhões. A proposta da Italplan, no entanto, prevê um custo de US$ 22 milhões. ?Os cálculos apresentados pelo governo e seus parceiros são irreais?, afirma o engenheiro José Alex Sant’Anna, professor da USP. ?O governo deveria aprofundar seus estudos?. Mas, afinal, o que levou o governo a decidir pelo projeto dos italianos? A primeira versão da proposta, apresentada por um consórcio alemão, apresentava uma estimativa de custo quase US$ 2 bilhões menor que a da Italplan. Mas a balança pendeu a favor do preço da tarifa. Os alemães queriam os bilhetes a US$ 81 e os italianos ofereceram as passagens a US$ 39. ?Nossa opção foi pela tarifa mais acessível?, diz Neves, da Valec. E, apesar da polêmica, o projeto tem também seus entusiastas fora do governo. É o caso de Eliezer Batista, ex-presidente da Vale do Rio Doce. ?Não dá mais para viver de Via Dutra engarrafada e Ponte Aérea lotada?, diz ele.

US$ 9 bilhões é o custo do projeto feito pela Italplan