Até no sisudo cenário do pregão da Bovespa, o cuidado com a beleza já virou assunto. Na semana passada, analistas e investidores se renderam e passaram horas discutindo sobre cremes, perfumes e não faltaram as maquiagens. Eles, contudo, tinham um bom motivo: os últimos indicadores da Natura Cosméticos deram o que falar. No terceiro trimestre deste ano, a quantidade de produtos vendidos aumentou 32% em relação ao mesmo período de 2003. Resultado: a receita líquida acumulada ficou em R$ 1,2 bilhão, o que representa um incremento de 35%. Para animar ainda mais o papo, o lucro disparou em 467%, chegando a R$ 200 milhões. Diante dos bonitos resultados, os investidores arriscam a pagar caro pela companhia. Levantamento da Economática, empresa de dados financeiros, mostra que o preço do papel da Natura na Bolsa vale 10,6 vezes o seu valor patrimonial. A empresa tem o maior índice P/VPA (preço sobre valor patrimonial por ação) entre as 20 ações mais negociadas na América Latina. Em companhias, como a Vale do Rio Doce, esse índice fica em cinco vezes o patrimônio.

A Natura conquistou o dinheiro dos investidores num prazo de seis meses. Diante do fenômeno, fica a questão: qual o segredo do sucesso? ?Os preparativos para o lançamento foram fundamentais ?, diz o vice-presidente financeiro da Natura, David Uba. Para os analistas, contudo, a Natura se beneficiou pela participação de 70% de estrangeiros nas compras das ações. A diferença cambial torna o custo do papel mais atraente, mas, para o mercado interno, a Natura está cara. A empresa também foi favorecida pela falta de opção de novos papéis, naquele momento. ?O preço deverá passar por um ajuste no curto prazo?, diz Denilson Duarte, da Máxima Asset.

Cerca de 70% dos papéis estão
com os investidores estrangeiros