10/11/2004 - 8:00
Até no sisudo cenário do pregão da Bovespa, o cuidado com a beleza já virou assunto. Na semana passada, analistas e investidores se renderam e passaram horas discutindo sobre cremes, perfumes e não faltaram as maquiagens. Eles, contudo, tinham um bom motivo: os últimos indicadores da Natura Cosméticos deram o que falar. No terceiro trimestre deste ano, a quantidade de produtos vendidos aumentou 32% em relação ao mesmo período de 2003. Resultado: a receita líquida acumulada ficou em R$ 1,2 bilhão, o que representa um incremento de 35%. Para animar ainda mais o papo, o lucro disparou em 467%, chegando a R$ 200 milhões. Diante dos bonitos resultados, os investidores arriscam a pagar caro pela companhia. Levantamento da Economática, empresa de dados financeiros, mostra que o preço do papel da Natura na Bolsa vale 10,6 vezes o seu valor patrimonial. A empresa tem o maior índice P/VPA (preço sobre valor patrimonial por ação) entre as 20 ações mais negociadas na América Latina. Em companhias, como a Vale do Rio Doce, esse índice fica em cinco vezes o patrimônio.
A Natura conquistou o dinheiro dos investidores num prazo de seis meses. Diante do fenômeno, fica a questão: qual o segredo do sucesso? ?Os preparativos para o lançamento foram fundamentais ?, diz o vice-presidente financeiro da Natura, David Uba. Para os analistas, contudo, a Natura se beneficiou pela participação de 70% de estrangeiros nas compras das ações. A diferença cambial torna o custo do papel mais atraente, mas, para o mercado interno, a Natura está cara. A empresa também foi favorecida pela falta de opção de novos papéis, naquele momento. ?O preço deverá passar por um ajuste no curto prazo?, diz Denilson Duarte, da Máxima Asset. ![]()
Cerca de 70% dos papéis estão |