Você tem uma boa idéia, algum capital e acha que o mercado externo pode proporcionar grandes oportunidades para seu negócio. Só que não tem a menor noção de como viabilizar esse passo para o mercado externo. A solução para esse problema ? comum à maioria dos empreendedores brasileiros ? está mais perto. Nos últimos dois anos, com a Internet, o acesso a informações úteis aos exportadores foi simplificado. Há orientações disponíveis nos sites das principais entidades e câmaras de comércio estrangeiras (confira quadro). Eles não apenas esclarecem questões de legislação como mostram muitas oportunidades em seus países de origem. São um bom começo para quem quer cruzar fronteiras e não sabe como. ?Além de dar informações, também queremos facilitar o contato entre os exportadores brasileiros e os importadores estrangeiros?, conta Gilda Ohanian Nunes, do Ministério das Relações Exteriores, que mantém o site Brazil TradeNet .

A ajuda virtual está contribuindo para evitar um deslize corriqueiro entre os exportadores brasileiros: achar que uma situação sólida aqui é garantia de sucesso lá. ?Nem sempre a empresa tem capacidade ou produto adequado?, diz Gláucia Pettine, do Sebrae de São Paulo, entidade que possui em seu site um manual de orientação. ?As informações são essenciais.? O problema era que para se chegar a elas era preciso fazer um périplo por órgãos setoriais de diversos países, descobrir telefones de potenciais interessados, entender a legislação de cada lugar, além da fortuna gasta em ligações. Hoje, num site como o Brazil TradeNet, além de um guia do passo-a-passo da exportação, é possível conhecer a situação dos mercados onde se quer pôr o pé. Há estudos sobre produtos em dezenas de países, 430 pesquisas de tendências de mercado, regras de comércio e questões tributárias e análises setoriais. São 39 mil empresas estrangeiras cadastradas.

O que os sites não conseguiram contornar ainda é a burocracia, grande vilã das exportações. ?Na parte aduaneira é difícil conseguir fazer tudo sozinho?, avalia Mário Shingaki, consultor tributário da Levy&Salomão Advogados. Mas com uma mãozinha virtual está mais fácil. Que diga o empresário paulista João Soriani, dono de uma indústria de plásticos. Em 1998 ele quis diversificar seu negócio mandando parte da produção para fora. Como não tinha noção do que fazer, recorreu ao Sebrae e colocou no ar um site da empresa em três idiomas (português, inglês e espanhol). ?Houve uma grande procura e começamos a ser assediados.? Em quatro meses, Soriani venceu a tramitação e exportou a primeira remessa para os principais interessados virtuais, os argentinos. ?É um pouco burocrático mas valeu a pena?, conta ele. ?Vencemos a concorrência nacional forte e estamos sozinhos lá fora?.