Fabricar dinheiro deve ser um negócio rentável. A inglesa De La Rue produzia as cédulas de cruzeiros e cruzados que circulavam pelo Brasil até o fim da década de 80 e nunca sentiu necessidade de mudar de setor. No início da década passada, porém, a empresa perdeu a concessão para a estatal Casa da Moeda e viu sua subsidiária brasileira entrar em crise. A volta por cima demorou quase uma década inteira, mas aconteceu. Depois de anos de prejuízos, a De La Rue brasileira voltou ao azul no ano passado e acabou se tornando exemplo internacional de desempenho dentro do grupo, uma corporação bicentenária com operações em 120 países de todo o mundo e faturamento de US$ 1,1 bilhão. A virada foi tão bem-sucedida que deu à filial o prêmio de melhor unidade do grupo. A empresa passou de fabricante de cédulas a fornecedora de equipamentos para que bancos e empresas manuseiem o próprio dinheiro. Não teve como manter o charme do antigo negócio, mas se tornou rentável. Transformou no ano passado 12% do faturamento em lucro, e neste ano vai fechar de novo no azul.

A reviravolta veio sob o comando do primeiro brasileiro a chefiar o braço local do grupo inglês. Paulo Ricardo de Oliveira, o presidente, aplicou uma receita mais que básica para fazer os lucros brotarem: cortou custos e reajustou preços. ?O faturamento crescia todos os anos, mas o resultado continuava negativo?, conta. Viradas não são fáceis de se dar em um grupo tão tradicional. Um embrião da empresa já vendia papel moeda para o Banco da Inglaterra em 1724. Séculos depois, foi dela o primeiro caixa automático do mundo, em 1967, para o também inglês Barclay?s. No Brasil, são dela hoje um terço dos caixas automáticos do País, e a maior parte das máquinas que contam dinheiro. As notas velhas que saem de circulação são selecionadas por um equipamento da empresa.