26/11/2003 - 8:00
No filme O Escorpião de Jade, de 2001, o ator Woody Allen representava um investigador de uma seguradora, especializado em proteger bens de milionários. Na ficção, o trabalho ganhava contornos de comédia. Na vida real, porém, essa é uma tarefa que muitas vezes se parece mais com um drama. Foi o que aconteceu com um milionário paulistano. Um incêndio tomou conta da cozinha de sua mansão. No combate ao fogo, o jardim ficou destruído, uma perda de R$ 100 mil. O prejuízo só não foi maior porque ele tinha uma apólice cuja cobertura incluía o projeto paisagístico. O seguro foi pago e o jardim, reconstruído.
Seguros inusitados ? e caros ? como o do jardim é a especialidade da Chubb, uma empresa diferente. Seu negócio é cobertura para bens sofisticados, como jóias, obras de arte, iates, jatos executivos, carros de luxo e residências de alto padrão, além de projetos paisagísticos. Em todo o mundo, essa clientela top garantiu à Chubb uma receita de US$ 2,5 bilhões no ano passado. No Brasil, são 7 mil clientes, uma carteira que deverá encerrar este ano com R$ 100 milhões. A seguradora é líder em aviação executiva no País, com cerca de 500 aeronaves seguradas. ?Nunca trabalhamos com clientes de baixa renda ou classe média?, diz Sidney Munhoz, diretor da Chubb. ?Não somos esnobes, apenas temos produtos com um foco bem definido.?
O foco da Chubb se conta em cifrões. Só faz seguros de barcos que valem mais de US$ 100 mil (isso mesmo, dólares) e automóveis a partir de R$ 100 mil. Tamanha exigência faz com que a seguradora seja a líder no segmento de carros superesportivos, como Ferrari e Porsche. ?São automóveis que só o pára-brisa pode custar R$ 30 mil, mais caro do que um carro popular?, compara Sidney. Não é à toa que a maioria dos 16 mil veículos segurados é blindada.
A Chubb aproveita uma onda do mercado brasileiro. De acordo
com Sebastião Pena, gerente da área de riscos do Instituto de Resseguros do Brasil, nos últimos anos cresceu muito a procura
por cobertura de riscos diversos, como jóias e obras de arte, principalmente pelo público de maior poder aquisitivo. Segundo
ele, o prêmio aumentou 40% este ano.
Com o bom desempenho no Brasil, o próximo passo da Chubb será lançar aqui o conceito ?All Risk?. Nesse tipo de cobertura, o cliente está protegido de qualquer evento que traga dano ao seu patrimônio. ?No Brasil, há seguros para os chamados riscos nomeados, como roubo, demolição, incêndio?, explica Munhoz. ?No futuro, vamos oferecer a cobertura realmente total.? O produto ainda está em estudo, mas Munhoz já adianta que o preço não será barato. Conhecendo o perfil do cliente da Chubb, parece que ninguém vai
se preocupar com o preço.